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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 09/10/2020 às 17h33

Tentando consertar o casco enquanto navega

Mano encontrou um barco fazendo água e está tentando consertar o casco enquanto navega. Isso porém não macula o grupo em sua essência. O Bahia tem um bom elenco que apenas precisa ser ajustado e recuperado psicologicamente. Não vejo nenhum outro clube com plantel mais qualificado que o Tricolor exceto Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG, São Paulo, Internacional e Grêmio. Os demais em sua maioria são parelhos e alguns desses apenas ficam próximos do Bahia.  

O vilão dessa fase ruim pela qual passou (...) o Bahia não é exatamente o lado técnico individual, mas sim um coletivo que não estava conseguindo resultados positivos e nesse contexto há várias nuances que explicam a fase, como por exemplo o lado psicológico fruto venenoso da Covid-19, a insatisfação da torcida contra Roger que culminou na sua demissão, a alteração de comportamento técnico e físico de jogadores como Gregore – agora retomando sua melhor forma –, Rodriguinho e Gilberto,  implantação de um novo modelo técnico, tático e filosófico, mais as contratações em cima da hora para resolver deficiências que todavia precisam de tempo, condicionamento físico e entrosamento. 

Mano dispensa comentários, embora há quem o ache retranqueiro. Não é. Ele é um treinador que se esmera na defesa mas não descuida dos demais setores. Não é treinador de jogar por uma bola – exceto algo eventual num momento de um jogo em curso. Arrumar a “casa” por setores é filosófico em Mano. E não está errado, ele acredita muito no que faz porque para se obter sucesso precisamos de crenças firmes. Então chego à conclusão que com esse novo comandante o Bahia ficará entre os dez da parte superior da tabela ou, na pior das previsões, no limite máximo da Sul-americana.  

Esse processo de reorganização técnica e tática demora um pouco e alterna muito nos resultados, mas logo o Bahia ganhará a “cara” da sua tradição e do seu treinador. Precipitam-se os que acreditam prematuramente em fracasso no Bahia desde a diretoria ao time de futebol. O Bahia não tem time para cair e nem presidente omisso. Digo isso desde que ouvi o primeiro pessimista falar em descenso – parece até que o Bahia é a exceção que eventualmente não pode frequentar a zona que indica descenso, sendo que dali, às vezes, se sai mais fortalecido para vôos mais altos. 

O futebol no Brasil está na contra-mão da sua própria história. Enquanto no passado fomos escola modelo referencial de futebol para o mundo, agora passamos de professores a alunos do futebol europeu. É mais ou menos assim: quando a Europa já havia abandonado o modelo anterior passando a praticar a filosofia do futebol-gol, nós copiamos o que a Europa já abandonara em detrimento do futebol arte que praticávamos. É só observar o número de gols que atualmente os europeus marcam por rodada e comparar com o nosso.  

Inteligente, atualizado e moderno como é, Mano  já deve ter percebido isso em tal nível que o Bahia já demonstra que será um time diferente nessa nova Era – não é demais lembrar que na última partida três atacantes marcaram os gols. Quando Mano treinava a Seleção Brasileira primava pelo futebol inteligente usando o potencial técnico dos jogadores em sua plenitude. Certamente que veremos ele fazer do Bahia um time propositivo e bem equilibrado nos três setores com boa posse de bola no campo adversário. Porém, isso ainda levará algum tempo. O momento  com possíveis alternâncias comportamentais desse time  é próprio de quem está saindo de uma condição cuja confiança em si estava muito abalada. 

Esse elenco atual sendo enxugado sensata e necessariamente – liberar jogadores que custam caro e são pouco utilizados –,  mais as possíveis contratações que advirão desse enxugamento, fará com que o Bahia se reaproxime da parte de cima da tabela de forma mais efetiva. Em meu modo de pensar, o problema que motivou a queda de Roger Machado nem foi essencialmente a falta de conhecimento técnico por parte dele, sim a necessidade premente de uma reestruturação no departamento de futebol.  

– Acontece que quando alguém faz algo que julgamos errado, esse julgamento se baseia em atos e palavras detectadas no nível de comportamento do indivíduo. Acho que Róger misturou suas ideologias com o seu trabalho e se perdeu com o desgaste dos seus próprios discursos ao ponto de se tornar acrítico perante seus comandados. Veja que ele chegou a adotar o termo “hierarquia” para justificar titularidades.   

Por outro lado a permanência de Diego Cerri e seus imediatos amadores foi um equívoco de Bellintani e tenho convicção de que ele já enxergou isso porque se o departamento mais importante do clube não esteve dando respostas à altura das suas necessidades,  precisando contratar um treinador capaz de suprir toda essa incompetência e apontar o Norte a ser seguido, então não haverá nenhum motivo a mais para não se fazer uma autêntica mudança nessa estrutura. E será feita sem sombra de dúvida alguma caso aconteça a reeleição de Guilherme Bellintani, posto que de agora até Dezembro qualquer mudança seria ato desinteligente. 

MANIFESTAÇÃO DE UMA FRAÇÃO DA TORCIDA 

Não foi bonita e nem pragmática a tal manifestação nas cercanias de Pituaçu antes do jogo contra o Vasco. Isso não faz nenhum time ser melhor ou pior. O Bahia já vem evoluindo à vista de todos, mas ter o seu ônibus apedrejado ao invés de bem recepcionado, com os jogadores chegando para uma decisão em termos de tabela de classificação, não me pareceu civilizado e muito menos inteligente. Pelo contrário, isso é uma porta entreaberta à barbárie.   

Atitudes assim mostram que está em andamento a adoção de um modelo calcado em torcidas organizadas como a do São Paulo, Corinthians, Palmeiras e etc. que tais, que são péssimos exemplos no futebol brasileiro. Ou talvez seja também uma maneira politiqueira de minar a reeleição de Bellintani. Fato é que essas coisas orquestradas ocultamente e praticada pela massa de manobra não somam positivamente para o Bahia. Manifestação é algo democrático e sagrado, mas baderna politiqueira e agressiva não.

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