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Coluna

Manuelito Magalhães
Publicada em 27/09/2020 às 22h14

Segurando a “Lanterna”

Ao não vencer o Athlético-PR no último sábado, apesar da melhora no futebol apresentado, o Bahia definitivamente abraçou a última colocação do campeonato brasileiro. Se o resultado da partida em si foi injusto, a pífia campanha tricolor em 2020 está adequadamente refletida na ‘lanterna” da série A. Aliás, a expressão “lanterna” vem justamente das luzes vermelhas que ficavam no último vagão dos trens, copiadas nos automóveis. Servem de alerta contra colisões e servem de alerta (bem vermelho) para a situação atual do clube.

Claramente, o Bahia, já há algum tempo, vem apresentando problemas no elenco que as inúmeras contratações não conseguem superar. Em todos os setores do time, temos jogadores que não tem perfil para disputar a série principal do Campeonato Brasileiro e isso se apresenta e cobra sua conta ao longo de extenuantes 38 rodadas, tempo suficiente para que apresentem o real nível de seu futebol, que poderia ficar escondido em disputas curtas. Neste ano de 2020, em decorrência dos fatores extra-campo que todos conhecemos, esse distanciamento entre o elenco ideal e o real se mostrou mais cedo.  Olhando em retrospecto, é visível a dificuldade que o Bahia apresenta em permanecer na primeira página da classificação do campeonato. Sempre falta algo: tropeça em adversários menos estruturados, não consegue repetir boas apresentações... Até agora, recaiu sobre os diversos técnicos a culpa por essa incapacidade em reproduzir dentro do campo, as conquistas fora dele.

A vinda de Mano Menezes, que é bom mas não é mágico, evidencia que não é só um problema de técnico. Muito menos exclusivo dos jogadores. Há necessidade de reformular o conjunto de jogadores. Mas, as novas contratações, indicadas por Mano Menezes, tornam óbvio que é imperativo olhar para o próprio departamento de futebol, afinal o elenco que aí está não caiu do céu, alguém contratou. Claro, não de imediato, teremos que conviver com a permanência de grande parte dos jogadores. Mas, será inevitável agregar novas peças ao time. Inevitável também será discutir a estrutura do departamento de futebol, o modelo decisório, o planejamento do clube e sua avaliação periódica para correção de erros. O que não pode é deixar como está para ver como fica, com a ilusão de que o próximo técnico colocará o time “nos trilhos” e o fará deixar de ser o último vagão. Afinal, sempre haverá técnicos por vir. O que não há é estrutura financeira que dê suporte ao entra e sai de comissão técnica e jogadores,

Por falar em planejamento, é importante que a diretoria perceba que ele não é imutável. Faz parte do processo de planejar, avaliar a execução daquilo que foi planejado e verificar se os resultados e metas estão sendo alcançados. E corrigir imediatamente, quando necessário. A relutância em mudar é um erro muito mais grave do que qualquer erro que tenha sido cometido no planejamento inicial. Nesse sentido, é inexplicável que o clube dispute 27 partidas no campeonato brasileiro, vença apenas 4 e a indignação seja apenas dos torcedores. Quando se lida com paixões como a do futebol, não se pode ser frio em excesso, sob pena da frieza transformar-se em covardia ou indiferença.

E, pior, a resistência a mudanças não raro desemboca em processos de ruptura, onde se perde a conexão com o que foi construído ao longo do tempo. Nesse ponto, a chegada de Mano Menezes é um rompimento com o passado, dada a ausência de compromisso da parte dele com as decisões que nos levaram à situação atual. As contratações já anunciadas são exemplo claro disso, o que nos leva necessariamente a indagar os limites dessa nova fase do Bahia.

O primeiro semestre de 2020 apresentou um fluxo de caixa deficitário em cerca de R$ 44 milhões, conforme o demonstrativo de resultados do clube. Até que ponto há o risco de comprometer financeiramente o futuro do clube, para compensar essa deficiência apresentada em campo? Resta-nos torcer e cuidar para que a “lanterna” que seguramos agora ajude a clarear o caminho a ser trilhado, recuperando o bom futebol de outrora, mas sem colocar a perder o que se conquistou desde 2013, fora de campo. BBMP!

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