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Coluna

Cássio Nascimento
Publicada em 02/10/2019 às 12h22

Psicologia da diurese canina aplicada ao futebol

Recentemente, aquele clube o qual não se diz o nome, cuja sede se localiza em cima do maior reservatório de metano do Norte e Nordeste brasileiros, assinou contrato com a empresa concessionária da Arena Fonte Nova visando mandar partidas na Nova Fonte.

A iniciativa, naturalmente, partiu do ex-funcionário do Bahia especialista em polêmicas, cujo sobrenome é paradoxal ao seu comportamento de bastidores. Em vez de cuidar das dívidas impagáveis, do terceiro ou quarto treinador em 2019 e do inexorável rebaixamento à Série C, eis que o mandatário rubro-negro tem aquele insight comum a todo fracassado: "quando eu sou incompetente, ponho a culpa nos outros para encobrir meu próprio fracasso".

O rival local do Bahia já é complexado por natureza: nos anos 70/80, a desculpa era "não somos maiores do que vocês porque seus dirigentes roubavam", diante dos pentas, heptas etc do Bahia no Baiano - Em 88 mesmo foi uma loucura: perderam o baiano na bola e na porrada e assistiram nossa volta olímpica em pleno Beira Rio: tudo roubado! Eis que o clube da Aliomar Baleeiro cresce em desempenho e estrutura nos anos 1990, com farto apoio da prefeitura municipal de Salvador e do Governo do Estado, cujo resultado são as benfeitorias do hoje dignamente habitável bairro de Canabrava e seu entorno e até os refletores do estádio, segundo as más línguas, foram fruto de doação. Não me recordo muito da torcida do Bahia, idem os dirigentes da época, ficarem resmungando a respeito disso... ok.

Após a lamentável tragédia de 2007, da qual este colunista possivelmente escapou por causa do preço da passagem aérea (escapei, no mesmo ano, de virar churrasco no TAM 3054, mas isso é assunto para um papo de boteco qualquer), o estádio de Pituaçu foi amplamente reformado para receber o Bahia, sendo palco, inclusive, da histórica volta à Série A em 2010. No caso, segundo a cantilena vitoriana, o governador X do Partido Y estariam beneficiando o Bahia: um absurdo!

Nem vou entrar no mérito das relações promíscuas entre público e privado que sempre grassaram na nossa Bahia e Brasil: o fato é que quando o Estado beneficia um, é uma coisa; e quando o Estado beneficia o "inimigo", o discurso é outro. Tanto amor ao Erário e à coisa pública, a bem da verdade, não passam de joguetes de conveniências. Em frente...

Vamos a 2019: Bahia, com contrato assinado com a Arena, com lojinha e tudo, com adornos estádio adentro que identificam as cores tricolores, tudo massa, tudo lindo. Bahia no G6, públicos crescentes, torcedores com lugares marcados estilo europeu... tudo isso pareceu demais aos olhos dos canabravenses... chegou uma hora que deve ter sido dito: "as sardinhas estão tirando muita onda! Precisamos pará-los!"

A Fonte Nova não é de hoje que está culturalmente associada ao Bahia: onde moro, é comum as pessoas ficarem perplexas ao saber que o Estádio é público (embora concedido ao setor privado) e não de propriedade do Tricolor. O rival, acertadamente ao meu ver, procurou valorizar seu equipamento no meio dos anos 1990 e o crescimento deles foi visível, foi nítido, após tal iniciativa. Contudo, se antes eles não costumavam encher a Velha Fonte e até o seu estádio, que dirá numa arena padrão-FIFA?

Não é preciso consultar os almanaques de futebol para comparar as médias de público. O presidente do ECV sabe disso, sabe que sua torcida não apenas é pequena como também é distímica e só vai ao estádio quando o time está por cima. Ele sabe que um contrato desses daria prejuízo. O time dele mal, às portas da Terceirona, e ainda arruma compromisso financeiro desses. Não deu em outra: hoje, os jornais já mostram um recuo do clube rubro-negro, sinalizando usar a Arena apenas "em jogos de grande apelo". Grande apelo tal que deve se concretizar, muito provalvelmente, no dia em que o rebaixamento para a Cerei C for sacramentado, com aquele vandalismo de sempre no entorno do estádio quando coisas como esta ocorrem no futebol.

A postura dos dirigentes do ECV, não obstante o que se chama de cachorrada (para com seu próprio clube em razão da sua situação atual), mostrou-se, caninamente falando, típica atitude do cão que faz xixi em volta da casa do seu dono: pode ser um pinscher ou um lulu-da-pomerânia, que não são páreo para seus congêneres de médio e grande porte, mas o importante é marcar território de uma coisa que nem sua é. 

Saudações Tricolores!

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