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Coluna

Publicada em 28/07/2020 às 10h54

O velho normal está de volta

Se o Bahia ganhar o Baiano 2020, será seu 49º* Estadual. São vinte a mais que o segundo colocado. Sendo que ele, como um dos fundadores da competição em 1905, já  tinha disputado 26 campeonatos antes da criação do Bahia. Das nove décadas em que esteve presente, o Bahia foi o maior vencedor em sete. Rivalidade com o 2º colocado só passou a ter sentido dos anos noventa em diante.

Alguns torcedores do lado de lá usam como defesa para esse fiasco retumbante de 115 anos o fato de seu futebol ser amador até os anos 60. Ora, se levarmos isso em conta, podemos dizer que as gestões Pernet (Maracajá), Barradas (Maracajá) e Guimarães (Maracajá) também foram amadoras, logo, as décadas de 1990 e 2000 não fazem parte de nosso cânon.

Infelizmente para as duas torcidas, não se pode apagar o passado. E ele não perdoa os erros cometidos. Pelo contrário até. Torna-os parte do que somos. Os anos de más-gestões e vexames dentro e fora de campo ajudaram a formar uma torcida mais resistente e apaixonada. Afinal, temos toda uma geração de tricolores que se forjou no sofrimento das Séries B e C e doze anos sem um mísero estadual. Somados a eles, os milhões que viveram os dias de glória do Esquadrão que não permitiram que o Bahia de verdade morresse.

Do lado de lá, está se desenhando um cenário diferente. Os mais jovens, para quem o futebol foi inventado em 1992, estão vivendo sua primeira crise duradoura e acompanhando a ascensão de quem eles julgaram morto. Os mais antigos, estão começando a reviver o pesadelo que pensaram ter deixado enterrado na infância e juventude.

Por coincidência ou providência divina, essa retomada de hegemonia do Bahia está ocorrendo num momento crucial do futebol do país. A pandemia vai amplificar problemas financeiros que afetam a maioria esmagadora dos clubes brasileiros e as mudanças estabelecidas pelo PROFUT , FIFA , meios de comunicação e até pelo Presidente da República prometem dificultar a vida daqueles cartolas que empurravam os problemas com a barriga.

Somemos a isso o fato de que mesmo a relevância de algumas competições está mudando. Se até o começo da década de noventa, o estadual era a segunda competição mais importante do calendário, hoje ele ocupa o último lugar. Já  que  conquista do Brasileiro sumiu da alça de mira de todos os nordestinos desde 2003, a Copa do Brasil e a Sul-Americana tornaram-se alvos plausíveis no médio prazo. Por fim, a Copa do Nordeste voltou a assumir o protagonismo da região, reduziu o Baiano a um fardo que precisa ser disputado para satisfazer os interesses da FBF e movimentar os pouco menos de vinte clubes profissionais do estado.

Ainda que falte ao Bahia pelo o menos chegar às finais de Copas maiores, ou mesmo retornar à Libertadores, o caminho que está traçando mostra que o cumprimento dessas metas se avizinha. No âmbito regional, que até 20 anos era o bastante pra maioria de nós, o Esquadrão está  marcando posição há algum tempo. Até a data desse texto  são duas semifinais de Copa do Nordeste, três finais e um título desde o retorno da competição em 2013. No finado estadual, como visto, o domínio foi retomado.

Diante desse cenário, podemos dizer que o Bahia está entrando em um novo círculo virtuoso, no qual a excelente gestão fora de campo começa a colher frutos dentro dele  que se refletem em maiores receitas de premiação, de bilheteria, de plano de sócios e de patrocínios. Por fim, soma-se a isso o aumento na exposição da marca, satisfação do torcedor e um afastamento cada dia maior em relação a aquele que um dia se candidatou a ser seu rival. A normalidade está voltando, pelo menos no futebol baiano.

* Correção feita após a publicação. Obrigado a Gabinho e Caio por me alertarem.

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