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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 08/09/2020 às 10h44

O eleito bem amado

O que se especula sobre prováveis nomes de treinadores renomados que estariam sendo contactados pelo Bahia é uma grandeza! Por via das dúvidas prefiro deixar acontecer o fato para então emitir a minha opinião sobre quem vier. Quem será o eleito bem amado, eis a questão da ansiedade. Então é melhor não especular que ficar sugerindo o improvável. A diretoria Tricolor vive um momento difícil para conseguir um técnico de renome que possa vir para “resolver”. Primeiramente porque o problema não é só contratar um treinador como num passe de mágica. Segundo porque nenhum treinador renomado gostaria de preencher uma lacuna por apenas quatro meses. Acho que isto é um entrave.  

Treinador com status prefere fazer a pré-temporada para implantar a sua metodologia. É fato que o campeonato só terminará por volta de Fevereiro/Março, mas no caso do Bahia é o Presidente com a sua diretoria que terão mandatos encerrados em Dezembro. Sendo assim não se pode planejar nada para além desse prazo. Apostar numa reeleição não dá, seria loucura prometer a algum treinador um contrato prorrogável porque isto seria apostar no ovo que a Ema ainda não pôs. Por isso vejo o Presidente do Bahia num beco estreito.  Exatamente por isso que a essa altura do ano, demitir Roger foi o que menos Guilherme Bellintani quis – sem querer entrar no mérito dessa demissão. 

– O pragmatismo de Bellintani via Twitter quando escreveu um texto para em menos de 48 horas desmentir a si próprio, pegou mal e escancarou a sua inexperiência para com os ventos das quatro estações do ano que acontecem num só dia no mar do futebol. Abalou sem dúvidas suas próprias convicções e comprometeu a sua credibilidade no que se refere ao futebol, especificamente. Talvez isto até esteja tendo alguma influência negativa nesse momento em que tanto se especula sobre nomes de técnicos.  

E a onda continua difícil de ser surfada... Tem ainda os corneteiros que pedem a cabeça do diretor de futebol, mais uma vez de forma equivocada, pelo momento. Onde se contrataria um manager para implantar uma filosofia de trabalho em apenas quatro mesesProfissional de ponta não vem. O torcedor tem de analisar racionalmente o contexto para depois falar de quem e por que demitir. Não é uma fase com visíveis e sentidas dificuldades que deve precipitar as coisas, até mesmo para que o tiro não saia pela culatra.  

O Bahia tem um presidente eleito pelo voto da torcida e ele não tem decepcionado. Pelo contrário. Porém é preciso se entender que o aprendizado só acontece vivenciando um contexto que não é só de conhecimento teórico, tem de ser também aprendido com a prática. Tenho certeza que em caso de reeleição Bellintani será um gestor mais completo porque nesses três anos como estagiário no futebol já deu para aprender muita coisa. Administrativamente ele é nota 9 incontestável, mas quando se inclui no contexto o futebol, essa nota cai para 5 e isso é natural. Natural só não será se num possível próximo mandato ele insistir com os mesmos equívocos.  

Dentro desse raciocínio é que entendo que uma diretoria remunerada não quer dizer que 100% do clube está profissionalizado. Em todos os clubes democráticos existem as acomodações próprias de uma estratégia para se eleger um presidente, e no Bahia não foi e nem será diferente – acho isso um dos maiores equívocos no futebol, mas essa é a toada. Quero dizer afinal que, se Bellintani estivesse cercado por pessoas verdadeiramente conhecedoras do futebol, o Bahia já teria avançado em campo tanto quanto avançou estruturalmente como clube. 

Agora não há mais tempo para mudanças porque Dezembro já bate à porta. Porém, se Bellintani obtiver a sua reeleição muita coisa terá de ser mudada e essencialmente profissionalizada. Fatores “decisivos” como os acordos da política de bastidores pré-eleição, para acomodações em cargos, devem ser extintos para o bem da instituição. O torcedor não tem de pagar para que a incompetência continue em forma de composição. Assim o digo porque essas coisas são pertinentes em clubes com viés da Política partidária. 

São por motivos assim que a Divisão de Base do Bahia é como a linha do Equador, sabemos que existe, mas ninguém vê – resultados. Do mesmo modo nessa mesma linha equatoriana estão os cargos no futebol abaixo de Diego Cerri, que existem, mas ninguém vê suas ações.  – só para exemplificar uma das falhas nessa conjuntura que vem se revelando há alguns anos no Bahia. 

O próprio Presidente colocou o nome do Bahia de forma tão bem conceituada organizacionalmente no cenário do futebol brasileiro que não cabe mais retrocesso. Sem ser incongruente, uma das dificuldades no Bahia é o aparente estilo de Bellintani, bastante centralizador – talvez até pela falta de confiança na capacidade astuciosa dos seus liderados.  O torcedor não quer mais amadorismo no seu clube e muito menos a Política, pois, a própria evolução que evidencia o profissionalismo intenso é o que transforma a promessa em realidade. Dar o melhor de sí em comprometimento transmitindo confiabilidade em qualquer situação para alcançar a excelência, é o que faz a diferença entre sapos e príncipes. 

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