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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 14/05/2019 às 10h40

Mudança profunda de mentalidade

O presidente do Bahia não queria trocar o comando técnico anterior porque achava que tudo estava bem num trabalho que só ele não conseguia ver que havia chegado ao fim do ciclo. Pelo menos era o que ele deixava transparecer quando dizia que haviam métodos de trabalho implantados por Enderson Moreira jamais realizados no clube por outro treinador – metodologias que afinal não chegaram no campo da prática objetiva.

Mas enfim, a torcida exigiu mudança e os resultados não convincentes apressaram o evento, e veio um treinador do primeiro escalão do futebol  brasileiro. O que mudou? Por enquanto mudaram postura tática e movimentação do time durante os jogos, porque o fato de Roger não ter feito a pré temporada o impede eventualmente de por seu estilo em prática, e isso demandará algum tempo até que aconteça.

 – Confesso que a partir de domingo passado fiquei um tanto quanto preocupado com o Bahia dos dois próximos jogos, Brasileirão e Copa do Brasil, isto pelo histórico do torcedor tricolor ser de pouca tolerância com os resultados negativos, o que causa a pressão de fora para dentro do clube e cria óbices à sequência de um trabalho.

Um bom treinador não é somente o que conhece todos os caminhos da bola. Existem outros fatores de suma importância no comportamento desse profissional à frente do seu elenco, como por exemplo muita dedicação e concentração sobre a filosofia de grupo e time que ele deseja incutir no homem e no atleta.

Mudança profunda de mentalidade desses atletas, como a de prepará-los para saberem jogar fora de casa, será uma das batalhas do treinador, e isso envolve saber lidar essencialmente com o lado psicológico do indivíduo, independentemente de o clube ter profissionais acadêmicos para tratar do assunto. A convivência diária e a preleção antes do jogo requerem do treinador um comportamento mais intimista e enérgico com seu grupo que só ele pode transmitir.

Quando se consegue colocar como objetivo pessoal a qualidade dentro de cada um, tem-se ainda uma longa estrada a percorrer porque nada pode ser conseguido se as pessoas não mudam seus paradigmas, e todos, primeiro individualmente e a seguir em conjunto. Ao trazer esses potenciais à tona, a mente rompe as amarras dos paradigmas tradicionais liberando-as para explorar novos mares de possibilidades.

A impressão que tenho quando vejo Bahia jogando nos domínios do adversário é que há uma crença do próprio jogador de que vencer é a menor das possibilidades. Parece que naquela momento das orações dentro do vestiário, antes do jogo, o “Natural de Almeida” sugere como crença a derrota. É quase dogmático esse aspecto e Roger terá muito que trabalhar em cima disso.

Em 1988/89, o Bahia de Evaristo de Macedo conseguiu superar suas próprias dificuldades e o que parecia apenas uma boa campanha foi ganhando porte e consistência, e as amarras desses paradigmas foram rompidas uma a uma até se chegar à conclusão que o objetivo maior poderia e deveria ser alcançado, como de fato e de direito foi.

Proezas acima da média não acontecem sem um comando com liderança nata – qualidade congênita – e aperfeiçoada teoricamente para estar à frente de um grupo. Taxavam Evaristo de chato, rabugento e outros adjetivos imperfeitos para a sua competência. Na verdade, o mestre Evaristo enquanto treinador era também um líder que trabalhava em grau elevado de excelência a parte psicológica do jogador. Ele sabia que as habilidades são geradas no interior da mente de cada indivíduo e explorava isto nos seus comandados com perfeição. Não basta conhecer o ofício, tem de conhecer o fator psicológico de cada liderado.

FALA DE ROGER MACHADO

“Para uma equipe que fez um Campeonato Brasileiro bom no ano passado, que almeja, neste ano, aumentar seu nível, nós temos que nos apoderar dessa possibilidade de vencer o nosso adversário fora de casa, saber que os jogos serão duros e que você não vai ter seis, sete oportunidades. Aí nós temos que lidar com a eficiência. Ser eficaz, saber sofrer o jogo, mas ser eficaz quando as oportunidades aparecerem”.

"Isso é caso de estudo de academia. Porque fora dos seus domínios, você tem uma imposição, mas o adversário, jogando dentro da sua casa, pressiona muito e acaba, muitas vezes, principalmente em começo de jogo e em segundo tempo, levando vantagem emocionalmente na partida” (fonte: ecbahia.com).

Parece que estamos de acordo, Roger.

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