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Coluna

Caio Vasconcelos
Publicada em 26/01/2020 às 09h04

Minha Análise - Santa Cruz 0x0 Bahia

Meus Amigos,
 
Inicialmente, gostaria de justificar a ausência de análises das partidas após o jogo contra o Flamengo em 2019. O desinteresse e apatia da equipe tricolor na competição mais importante do país, se arrastando em campo e contando os dias para as férias, revoltou bastante este que vos escreve ao ponto do mesmo "largar de mão" a equipe, assistindo aos jogos sem o menor interesse, apenas de forma protocolar. O sentimento de desprezo foi imenso, indignação pela apatia do comando técnico e executivo do time, aliado a história estapafúrdia de candidatura à Prefeito do Presidente, o que só feriu mais o brio deste humilde analista. O Bahia é muito importante para ser tratado com tanto desdém como foi. O fim de 2019 foi difícil de digerir.
 
Venho informar também que não irei fazer análise dos jogos disputados pelo time de transição. Apesar de apoiar e incentivar o projeto, os métodos para a construção do elenco, com a contratação de 39 jogadores desde 2018 (caso queiram saber a relação completa dos atletas acessem a lista no meu twitter: https://twitter.com/59Caio88/status/1196902153769627648), bem como a falta de critérios para a dispensa de atletas do sub-20, como Felipinho, Dejair, Edimundo, Bolívia e Alysson levam à incertezas sobre o futuro do projeto a longo prazo. Espero estar errado acerca desta ponderação.
 
Feito os registros acima, sobre a partida de ontem que marcou a estreia do time comandado por Roger Machado na temporada, percebi mudanças significativas na filosofia de jogo da equipe. Se em 2019 tínhamos uma equipe vertical, que chegava na frente com poucos toques na bola, geralmente com muita velocidade, o que gerava dificuldades contra times mais fechados, neste primeiro confronto de 2020 percebi um controle maior da partida, com a posse de bola sendo bem executada, movimentação, triangulações e a infiltração dos laterais por dentro em diversos momentos. Essas movimentações permitiram ao Bahia criar 4 chances claras de gol na primeira etapa, com João Pedro em 3 oportunidades e com Clayson, em belíssima inversão de Daniel. Aliás, este atleta foi o destaque do time na primeira etapa, pois era o principal condutor do time nesta construção. Mostrou qualidade com a bola, bons deslocamentos e muita visão de jogo.
 
Entretanto, o principal erro de 2019 persiste em 2020: a Gilberto-dependência. O isolamento do camisa 9, sendo utilizado basicamente para a referência como pivô, limita demais a capacidade do artilheiro do time. A falta de meias e pontas que se aproximam de Gilberto e que "pisam na área" é um erro absurdo do conceito de jogo de Roger e que deve ser corrigido com urgência. Ademais, a escolha de jogadores que pouco entram na área faz do Bahia um time bastante incapaz de furar as defesas adversárias pelo meio, limitando os ataques aos lados do campo. No nosso elenco, somente Régis e Arthur Caíke tem essa característica, o que é bastante preocupante, visto que o Maradoninha Tricolor está em processo de litígio com a Direção e ainda pode ser negociado e o camisa 77 ainda não está na sua melhor forma física. O histórico de gols de Élber, Clayson, Daniel e Rossi demonstra que se Roger não mudar a sua forma de pensar o jogo ofensivo, teremos dificuldades ao longo do ano, caso a fase de Gilberto não esteja tão iluminada como esteve em boa parte de 2019.
 
Na segunda etapa o futebol do Bahia caiu de rendimento, muito pelo recuo do Santa Cruz, muito pelo cansaço natural decorrente da primeira partida da temporada. Mesmo assim, alguns bons lances foram criados mas ficou claro a necessidade de um melhor jogo ofensivo pelo meio. No fim ainda tivemos a grata surpresa de Fernandão ir para o gol, após a expulsão de Douglas. O camisa 20 ainda fez uma boa defesa, garantindo o 0x0.
 
Douglas - Seguro enquanto esteve em campo, teve uma expulsão bastante contestada no fim.
João Pedro - Foi bem no apoio, criando boas chances de gol. Teve as melhores oportunidades do confronto. Defensivamente não foi tão bem quanto no ataque, mas não chegou a comprometer.
Lucas Fonseca - O capitão jogou de forma simples e eficiente. Sendo o último homem rende mais do que saindo para a caça do adversário.
Juninho - Fez cortes interessantes e quase deu uma assistência para Gilberto. Foi bem na partida.
Capixaba - Que diferença na qualidade de passe e saída de bola para 2019. Se com Moisés tinhamos uma saída pelo lado esquerdo bem mediana, com o camisa 29 tivemos variação de jogada, tranquilidade e bons passes. O perfil construtor começa a aparecer.
Gregore - Foi bem na marcação mas ofensivamente não foi bem. Não vejo o porque deste constante avanço ofensivo de Gregore, visto que não é um atleta que marca gols ou dá assistências.
Flávio - Ficou meio sem função na primeira etapa, visto que Daniel fez o movimento de construção que ele deveria executar. Na segunda parte melhorou defensivamente, mas pouco foi a frente. Algo que precisa ser corrigido.
Daniel - Fez um bom primeiro tempo, quando fez o que se espera dele: Construir a jogada desde a defesa, trazendo a pelota até a parte ofensiva do time. Entretanto, não entrou na área (esperado já) o que é ruim para o único meia do time. Entendo que ele deve jogar na função de 2. homem de meio campo.
Élber - Assim, assim, uma no cravo e outra na ferradura. Não acredito que se mantenha titular com a chegada de Rossi.
Clayson - Apareceu bem em alguns momentos, mas perdeu uma grande oportunidade no fim do 1. tempo. Parece ser um jogador de bons recursos técnicos, com menos velocidade mas com mais cacoete de armador pelo lado do campo.
Gilberto - Fez uma partida de muita entrega. Deu bons passes para João Pedro na primeira parte e quase marca na segunda etapa. Mas é pouco pela capacidade de definição que possui. O time precisa construir mais jogadas para que ele possa definir. Só conseguiu chutar uma vez em gol.
Jadson - Entrou e pouco produziu.
Rossi - Entrou e pouco produziu.
Fernandão - Entrou e pouco produziu na linha. No gol, fez uma bela defesa e garantiu o empate.
Roger Machado - Sua idéia de jogo para 2020 me agrada mais que o modelo adotado em 2019. Entretanto espero que entenda a real necessidade de acrescer um meia atacante no time, com a saída de Flávio, para que esse domínio se traduza mais em gols. Régis deveria ter sido lançado, qdo da troca de Daniel por Jádson.
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