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Coluna

Caio Vasconcelos
Publicada em 08/10/2020 às 14h40

Minha Análise - Bahia 3 x 0 Vasco - BR2020

Meus Amigos,

Nesta quarta-feira, num jogo cercado de modificações, dúvidas acerca da escalação e com a esperança de dias melhores no final, o Bahia venceu de forma categórica o Vasco por 3-0 no Pituaço, pela 14ª rodada do Brasileiro 2020.

Antes da bola rolar, viralizou nas redes sociais um vídeo do torcedor jogando sal grosso no Estádio de Pituaço e nele mesmo. Importante demais para tirar esse peso que estávamos carregando.

A escalação de Mano Menezes trouxe uma série de modificações nas peças, esquema e forma de jogar do time. Como já havia testado no domingo e relatado por este que vos escreve, Ernando foi titular como lateral direito, no lugar de Nino, que sentiu um incômodo na coxa. Juninho voltou ao time titular. No meio campo, Daniel assumiu a vaga de Ramires e no ataque Clayson e Rossi entraram nos lugares de Marco Antônio e Élber. Além disso, Mano abandonou o esquema 442 com 2 linhas de 4, passando a jogar num 433 puro, com Rossi e Clayson atuando de forma agressiva, com liberdade de movimentos pelo meio e pelos lados, além de ter em Daniel o jogador mais adiantado do tripé, composto por Gregore e Elias.

O time funcionou muito bem. Daniel fez uma partida excelente, dando ritmo e cadência ao time, sempre com passes precisos e verticais. Soube ser o motor do time, acelerando e acalmando o time na hora certa. Além disso, mais uma boa partida de Elias, que mesmo não estando na sua forma física ideal, orientou muito, cobrou a arbitragem e jogou sempre com 1 ou no máximo 2 toques na bola, descomplicando as jogadas. Gregore voltou a apresentar um futebol de alto nível, com bons passes verticais e desarmes sem falta. Além do meio, a defesa melhorou em todos os aspectos. As bolas cruzadas foram cortadas sem riscos para Douglas, Ernando e Capixaba sairam jogando sem medo de perder a bola e os zagueiros quando precisaram, arriscaram passes longos ou chutões. Nada de jogadas arriscadas na defesa, como Roger gostava de fazer.

O primeiro gol tricolor surgiu de uma bela combinação entre Daniel, Capixaba e Clayson. O camisa 25, o melhor da partida para mim, recebeu no lado da grande área, sassaricou e cruzou na medida para Rossi marcar. 1-0 Bahia.

O Bahia não recuou e continuou o jogo de imposição. Ganhando as divididas, sem deixar o Vasco gostar do jogo, foi ganhando terreno e criando perigo ao adversário. Ernando fez uma linda jogada, foi ao fundo e serviu Gilberto na área. O camisa 9 pegou em cheio e ampliou. 2-0.

Logo depois, quase surgiu o terceiro. Daniel passou para Clayson que serviu Rossi na ponta. O camisa 11 disparou pela esquerda e cruzou para o zagueiro Juninho, livre dentro da área, chutar por cima. Mas ainda tinha tempo para mais um. Gregore lançou Elias na área, que fez uma boa infiltração. A zaga cortou e Clayson pegou o rebote para bater no canto. 3-0 aos 45 minutos do primeiro tempo.

Na segunda etapa o Vasco teve em 2 chutes da intermediária os seus lances mais perigosos. Ambos para fora e em um deles Douglas estava totalmente na bola. Ou seja, nada que preocupasse a defesa tricolor. Já o Bahia reduziu um pouco o ritmo, até pelo cansaço da sequência de jogos. Mesmo assim teve um penalti que não foi marcado e Ramon acertou um belíssimo chute de fora da área, obrigando Fernando Miguel à uma boa defesa. As alterações proferidas por Mano Menezes visaram a manutenção do resultado sem a perda da ofensividade. Fessin e Ramon entraram bem na partida, Saldanha fez uma boa jogada com Fessin e quase marcou. Mano está procurando soluções no próprio elenco para resolver rapidamente os problemas da equipe.

Diferente de todos os outros jogos de 2020, incluindo todos os campeonatos disputados, o Bahia fez um jogo extremamente consistente do início ao fim. Não sofreu perigo em momento algum da partida e dominou amplamente o adversário, impondo sua qualidade e transformando em gols as chances criadas. Mesmo nas partidas contra o Náutico ou contra o Nacional do Paraguai, a equipe em momentos do jogo correu riscos de um revés, o que não ocorreu ontem. O domínio de ações, domínio territorial, imposição defensiva e ofensiva não foram tão claros desde aquele Bahia 3-0 Flamengo, pelo 1º turno do Brasileiro de 2019.

Douglas - Foi um espectador da partida.
Ernando - Fez uma atuação muito convincente. Um dos melhores em campo, justamente por ter uma participação importante na defesa, cortando cruzamentos e fechando o setor mais criticado do time e por ter ido a frente quando teve oportunidade, servindo Gilberto no segundo gol. Pela situação dos laterais do Bahia, entendo que com a sua atuação merece uma nova oportunidade.
LF - Foi um zagueiro-zagueiro desta vez. Quando precisou, lançou bolas para o ataque, quando precisou deu um bico para a frente. E ganhou várias bolas pelo alto.
Juninho - Em que pese o inacreditável gol perdido, fez um jogo seguro defensivamente.
Capixaba - Fez uma partida boa. A presença de Daniel e Clayson pelo seu setor deu muita qualidade ao seu jogo. A bola não voltou quadrada e permitiu que o jogo fluisse mais.
Elias - A cada partida se torna mais importante. Uma liderança natural, tanto com os atletas, quanto com a arbitragem. Fora que não erra passes e joga muito simples, sem complicar. Arriscou-se ao ataque em alguns momentos, com boas infiltrações. Acredito que ao atingir a sua forma física ideal ele consiga atacar com mais regularidade.
Gregore - Mais uma boa atuação. A faixa de capitão lhe caiu bem. Voltou a ser o volante que desarmava sem faltas, que chegava rápido nas jogadas. E cada vez mais vem melhorando sua construção ofensiva. Acertou um passe para Elias que se o zagueiro não corta teria sido um lindo gol.
Daniel - Como titular repetiu as belas atuações que vinha tendo. Sempre com o passe qualificado, sempre com o passe preciso, foi o motor do time. Organizou as ações ofensivas e saiu como um dos destaques. Merece uma nova chance como titular.
Rossi - Entrou e foi muito importante ofensivamente. Sem tanta obrigação de voltar para construir o jogo, foi um atacante mais próximo de Gilberto e saiu agraciado com um gol. Além disso, puxou diversos ataques e deu muito trabalho à defesa carioca, marcando bastante a saída de bola.
Clayson - Como um meia atacante pela esquerda, sem precisar recuar tanto para armar as jogadas ou para marcar o lateral, seu melhor jogo floresceu. Dribles, chutes, cruzamentos. Sempre com objetividade, verticalizando e buscando oportunidades para marcar, foi o melhor em campo. Um gol e uma assistência, fora os outros lances. Titular indiscutível, em conformidade com a boa fase que vinha demonstrando desde o jogo contra o Botafogo. Mesmo contra o AtlPr já havia chutado mais em gol, porém o penalti botou sua atuação à perder naquela partida.
Gilberto - A bola entrou e isso foi um alívio para toda a nação tricolor. O homem precisa de confiança e de carinho neste momento, pois é um grande artilheiro e que irá nos ajudar muito neste brasileiro.

Saldanha - Se eu o pedia como titular no jogo passado, pela fase de Gilberto, entendo que agora, pelo gol marcado pelo titular e pela boa atuação do time, terá que esperar um pouco mais. Entretanto, entrou bem na partida novamente. Boa movimentação, dando trabalho para ser marcado.
Fessin - Entrou e deu novo gás ao lado direito do ataque na segunda parte. Boa movimentação e ousadia para arriscar dribles e chutes. Merece novas chances.
Elber - Entrou só para ser o mais desinteressado em campo. Até a forma como foi para a substituição demonstra a sua apatia, diferente do restante do grupo. Acredito que ficou claro para o treinador que sua má vontade está atrapalhando o desempenho do time.
Ronaldo - Entrou para auxiliar a defesa e não comprometeu, apesar de alguns erros de passe.
Ramon - Novamente um atleta que merecia ter tido mais oportunidades antes. Entrou e mostrou que tem qualidade para ser um dos utilizados neste meio campo. Sabe jogar com a bola e sem a bola, além de fazer tanto o 2º homem de meio quanto o 3º homem. E tem o chute de fora da área como qualidade, algo que será muito importante.

Mano Menezes - Se no domingo a escalação havia sido equivocada, com a saída de Clayson para o retorno de Élber, nesta quarta o Gaúcho está de parabéns. Montou um time que entrou ligado, que entrou querendo ganhar o jogo, bem organizado e com um pragmatismo necessário para conseguir o triunfo. A utilização de atletas do time de transição tem se mostrado acertada, pois os jovens estão com vontade de mostrar futebol e podem ser úteis ao longo da temporada. Acho que encontrou o time e a forma de jogar, seja neste 433 seja no 442 e já tem mapeado as peças que se encaixarão nos devidos sistemas. A dispensa de Jadson e as saídas do time de alguns atletas que não tem capacidade de vestir mais a camisa do Bahia são o reflexo deste mapeamento.

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