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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 26/06/2020 às 19h23

Em time que está ganhando não se mexe

O futebol é um paradigma. O jogo é um paradigma. E nesse contexto de paradigmas debate-se agora os limites impostos por uma pandemia que parou as atividades do futebol em campo. E se já não é fácil presidir um clube em condições normais, com um razoável fluxo de caixa sustentado por um orçamento de mediano para mais,  imagine dirigi-lo numa crise financeira sem precedentes na história do futebol do Brasil, especialmente.

O E.C. Bahia é dono da maior torcida da Bahia e presidi-lo tem tanta importância quanto ser governador do Estado. Proporcionalmente é assim. A pressão por resultados é gigantesca e a gestão do clube tem de apresentá-los. Mas diferentemente do Estado, o torcedor não tem obrigatoriedade para com o clube, não em forma de Lei. A lei é a do coração. É exatamente nesse ponto que as dificuldades num clube de futebol são elevadas à potência de 10, principalmente, porque há uma crise aguda na economia mundial gerada por um Corona-vírus   

O Presidente do Bahia terá de criar novos paradigmas e quebrar outros. E mudar de paradigma é mudar para um novo jogo, com novo conjunto de regras para um novo modelo arrecadador que inexoravelmente passará pela venda de jogadores importantes e o antigo CT – Fazendão. Mas como em toda crise a necessidade é a negociadora, possivelmente não serão vendidos pelo valor real do mercado, e muito menos tão rápido assim.  

Não falo somente do Bahia. Quando as regras mudam, todo mundo muda. Nesse patamar de mudança de jogo, cheio de limites, que se encontram os clubes do futebol brasileiro, não haverá dias fáceis. A criatividade e a competência têm de fluir 24 horas por dia na cabeça dos dirigentes do nosso futebol para produzir meios de sobrevivência nesse estado de sítio imposto por um vírus.

– Essa é uma circunstância com ares apocalípticos emergida repentinamente das profundezas da imaginação meio que parecida com filme de ficção produzido na China.

No caso do Bahia, o Presidente Tricolor terá de usar todos os seus neurônios para aquietar com a inteligência que Deus lhe deu o incômodo da pressão que a incompreensão levará às hostes do clube quando a bola começar a rolar. 

É preciso relembrar a história do menino holandês que conseguiu triunfar sobre o mar colocando o dedo no buraco recém surgido em um dique.

Alguém poderia pensar que qualquer um seria capaz de igualar aquele menino em heroísmo, bastaria estar presente quando o dique começou a vazar, e possuir dedos. Não, na verdade há algo mais importante. Foi necessário nesse caso, uma outra peça do equipamento mental que nem sempre está à disposição das pessoas: a inteligência, a capacidade de estabelecer novas correlações, novas associações e pensar de maneira diferente. E isso exige presença de espírito e criatividade, além de dedos.

Um exemplo dessa criatividade é o Inter de Porto Alegre que de forma inusitada associou seus jogadores e todos eles pagam e terão direito à estrutura social do clube. Isto naturalmente incentivará o torcedor a fazer algum sacrifício e não atrasar suas mensalidades como sócio do clube, inclusive, para estar mais próximo dos seus ídolos.

O momento é de muita apreensão, mas a inteligência, a criatividade e a ausência de pânico são fundamentais ante a imprevisibilidade das tragédias. Temporariamente a vida continuará como se fosse uma eterna noite com um longo pesadelo. Enquanto não surgir uma vacina para combater esse inimigo silencioso procedente da China tudo será muito difícil para humanidade e o futebol terá de ser jogado com outros paradigmas bem diferentes daqueles do início do ano.

– É bom que o torcedor do Tricolor se acostume com a ideia de que alguns sonhos terão de ser protelados sem tempo previsto de realização. Pode ser uma dura realidade, mas ela já está aí e não será por um período curto. Vamos torcer para que seja tão somente por este ano.  

Ferramental para o trabalho de enfrentamento à crise financeira Bellintani tem. O CTEM será peça fundamental nesse novo processo de reeducação administrativa mais ainda do que o imaginado. É a partir dali que o Bahia terá de forjar grandes times, ou a grande parte desses, com jogadores prata da casa para se adequar às regras do novo paradigma.

Outra peça fundamental é a reeleição de Bellintani no final deste ano, isto porque além do ótimo gestor que ele é, trocar o operador da máquina num momento tão delicado seria estabelecer um outro paradigma com outra filosofia, o que pode não dar certo em ocasiões turbulentas, como por exemplo esta que estamos vivenciando. Mesmo porque em time que está ganhando não se mexe.

CONDOLÊNCIAS

ROGER MACHADO, meus sentimentos pelo passamento da senhora Ione Machado, vossa digníssima mãe. Que Deus lhe permita o Céu e console a família enlutada. 

JORGE MAIA, um grande amigo e abnegado tricolor que também foi convocado por Deus. Maia chamava-me carinhosamente de "meu bom Djalma" e enchia minha bola dizendo-me "sou seu fã". Mas somos mortais e temos limites. Na imensa constelação mais uma estrela brilhará nas noites lindas de Céu prateado. À família Maia, minha solidariedade nesse momento de profunda saudade e tristeza.

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