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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 16/03/2020 às 11h42

E daí, se não tiver responsabilidade?

A fragilidade financeira dos clubes brasileiros é algo tão gritante quanto assustador. E ainda mais assustador é saber que parte dos dirigentes usam os clubes para deles se beneficiarem. Vide aí o Cruzeiro que foi deixado a mercê do descaso e da irresponsabilidade proposital.  Agora a recuperação da sua pujância só será possível  a longo prazo. A maioria dos clubes chamados grandes no Brasil são instáveis financeiramente e não raro dirigidos com irresponsabilidade. Gastam mais do que arrecadam durante o ano e a bola de neve vai crescendo à medida em que vai rolando.

– Ou o dirigente tem responsabilidade com as finanças do seu clube sustentado por um planejamento de excelência, ou o fundo do poço se expande incontrolavelmente

– O Botafogo do Rio está afundado numa dívida de 730 milhões, o Fluminense deve 629 milhões, Vasco  530 milhões. Entre os clubes do Rio de Janeiro só o Flamengo tem uma dívida menor e meios para pagá-la – são 357 milhões. O Inter de Porto Alegre tem uma dívida de 668 milhões. Tudo bem, a maioria entrou no Profut já em 2015/16 – renegociação da divida –, e daí, se não tiver responsabilidade? Essa renegociação mudará muito pouco esse passivo extraordinário.

Isso fica ainda mais assustador quando se vê a maioria desses clubes “investindo” alto em treinadores e jogadores como se o Profut fosse um avalista dessa irresponsabilidade. Desconhecem completamente a responsabilidade fiscal de gastar menos do que arrecada.

Nesse contexto estão também  Corinthians (476 mi), Santos (407 mi), São Paulo (469 mi),  Palmeiras  (463 milhões) e  Atlético de Minas Gerais (595 mi). Estamos falando só da dívida com a União. A dívida  trabalhista, para quem a tem, é outra complicação à parte.

Citei acima  apenas os “gigantes” desse contexto. A realidade é a seguinte; ou se faz gestão com muita responsabilidade como fazem Bahia, Athletico, Fortaleza e Ceará, ou entra nesse buraco sem corda e sem saber onde está o final. O Cruzeiro, outrora poderoso, está tateando no escuro para encontrar uma saída – com uma dívida total, segundo se noticia, de aproximadamente 800 milhões, e isso nos faz deduzir que o clube só sairá do buraco a longo prazo.

– Façamos uma simples reflexão sobre a situação do Cruzeiro e veremos como está o futebol brasileiro. É doloroso, mas um clube com a história do time das cinco estrelas chegar ao ponto em que está é muito preocupante e triste – sinceramente, não vejo o Cruzeiro deste momento na Primeira Divisão em 2021.

Já o Bahia tem dívida fiscal de 110 milhões no Profut,  30 milhões trabalhista e 25 milhões cíveis. Tem um orçamento anual de 180 milhões, portanto é superavitário porque não comete loucuras e gasta menos do que arrecada. O segredo desse equilíbrio com as contas é não contratar acima do que pode,  e essa é a diferença entre a gestão no Bahia e a que se pratica em outros clubes com a corda no pescoço. No Bahia se faz o que se pode cumprir. Pagar salários astronômicos – que nem sempre é sinal de garantia de sucesso – pode se transformar em seriado dramático.

– Sempre digo aos imprevidentes que não faz nenhum sentido deixar o dragão fora dos seus cálculos se você vive perto de um.  

O leitor pode até dizer que o Flamengo desmente meus argumentos porque é um time estrelado e está ganhando quase tudo... Pudera, tem a maior torcida do Brasil, tem gestão, tem orçamento forte na ordem de mais de meio bilhão – em 2019 arrecadou 652 milhões. Mas certamente vive com uma vela acesa numa mão e o sucesso na outra. Jorge Jesus quer cerca de 7 milhões de euros por ano para renovar contrato e isto joga a folha mensal do clube para aproximadamente 17 milhões, o que para o padrão do futebol brasileiro é alto e não permite erro de cálculo administrativo.

– É bom salientar que para o Flamengo chegar a esse ponto precisou de 6 anos de uma gestão séria e sobretudo responsável e calculista que pavimentou a estrada para os atuais dirigentes – não menos competentes que os anteriores – dar sequência e colher os frutos do que foi plantado por Eduardo Bandeira de Mello.

O Bahia vem trilhando esse caminho há quase seis anos, isso porque e a bem da verdade, essa consciência gestora só começou mesmo no tempo de Marcelo Sant’Ana. Só devemos entender que apesar da grandeza do Bahia, o patamar – como diz Jorge Jesus – do Flamengo é outro em relação aos demais clubes do Brasil. Portanto, o Bahia vem procurando a montagem de um time “operário”, com bom nível técnico para que a possibilidade de cair seja zero, e, concomitantemente buscando também em médio prazo, um patamar diferenciado que o coloque entre os doze maiores do Brasil.

Não tenho nenhuma procuração de Bellintani para defender sua gestão, sequer o conheço pessoalmente, mas que a administração dele é altamente benéfica ao Bahia, disso o torcedor tricolor não deve ter a mínima dúvida. Aí temos um Bahia muito bem organizado e com suas finanças em dia servindo de exemplo para muitos dirigentes pelo Brasil afora. E isso pode melhorar muito, basta o torcedor se associar em massa porque assim o clube alcançará em dois anos a marca de cem mil sócios, e aí a história será reescrita num novo patamar.

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