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Coluna

Publicada em 28/02/2019 às 02h02

Contra choros há argumentos

Escrevo essas mal-traçadas linhas enquanto ouço a coletiva de Enderson Moreira após mais um desempenho ridículo de seus comandados, dessa vez diante da Jacuipense. Confesso que fiz isso por puro masoquismo. A arrogância e previsibilidade desse cavalheiro nas coletivas não são novidade. Mas em vez de criticá-lo por criar sua versão derrotada do Mundo Fantástico de Bob, trarei apenas  fatos.

Contratado na fase semifinal do Nordestão 2018, Enderson não comandou o time na primeira partida contra o Ceará, Vencida pelo Esquadrão em Fortaleza. Na volta, já sob sua batuta, um empate medonho em 0 a 0 e depois entregou a paçoca pro Sampaio Correia.

Teve o resto da pausa da Copa do mundo para treinar o time e curá-lo da ressaca do fiasco da Lampions. Na primeira oportunidade de mostrar serviço, levou um sufoco absurdo de um Vasco que já tinha apanhado  feio duas vezes do Bahia de Guto no mesmo ano e quase viu a classificação às quartss de final da Copa do Brasil ir por água abaixo.

Essa matéria deixa claro que o começo dele foi bem ruim. Na verdade, a virada de Enderson e do Bahia em 2018 começou com a chegada de Gilberto ao time e sua média de gol altíssima até a lesão que o tirou de campo por várias rodadas.

Gilberto foi tão importante para o Bahia na metade final do Brasileiro, que alguns especialistas especulam que, se viesse em janeiro, Guto não teria caído tão precocemente. Arrisco a dizer que sem “ Golberto” talvez estivéssemos abraçados com os demais rebaixados daquela competição e hoje Enderson estaria em outra freguesia.

Não serei injusto de tirar todos os méritos do trabalho do nosso Bob ranzinza, afinal, foi com ele que ficamos 8 jogos sem perder no Brasileiro depois de quase 30 anos (5 empates e 3 triunfos), chegamos às quartas de final da Sul-Americana e Copa do Brasil, deixando um gostinho de “quase lá” nas duas competições. Se não fossem o VAR e o cobrança porca de Vinícius... se não fossem as costas de Edigar no chute de Gilberto e Nino marcando Dudu...

Mas com tudo isso, e considerando as circunstâncias do ano  de 2018, falo sem medo que o torcedor terminou a temporada frustrado. A expectativa era a conquista do estadual e do regional, aproveitando a fragilidade dos rivais. No Brasileiro, esperava um time mais corajoso e ambicioso e não medíocre como vinha sendo desde 2002. Comemorar 11º lugar, com pontuação inferior ao time de Jorginho na Era das trevas é se contentar com muito pouco.

A renovação do contrato para 2019 era certa. Ninguém deixaria um trabalho de 2 anos pra arriscar na loteria de tirar um time endividado do Z-4 sem garantia de continuidade na temporada seguinte.

Junto com ela veio a manutenção da base, especialmente Lucas, Gregore Gilberto e Ramires, os destaques de 2018. Perdemos 2 de nossos principais jogadores mas trouxemos outros com grande potencial a exemplo de Artur e Shaylon. Junto com eles, apostas mais baratas e jovens. E duas verdadeiras buchas de sena. )aquelas cheias de arranhões que ninguém em sã consciência pega na mesa de dominó. (Quem falou em Guilherme e Rogério aqui , rapaz? Oxe...)

No papel, a ideia de times A e B é boa. Sua execução que está sendo sofrível. Sempre critiquei Guto por ser limitado e previsível, fazendo as mesmas substituições e incapaz de mudar a forma do Bahia jogar, especialmente depois que sai atrás no placar. Enderson é tão limitado quanto mas, é imprevisível e inseguro. Qual a justificativa para escalar Fernandão num Bavice onde o time estava descontrolado e o atleta só tinha 6 dias de treino?

Para não me alongar demais vamos a algumas falácias e aos fatos:

“Maratona de jogos impede o time de treinar o suficiente”

O time tido por principal, cuja base é Douglas, Nino, Lucas, Jackson, Moisés, Gregore, Guilherme,  Artur e Gilberto participou de 8 jogos entre 16 de janeiro e 24 de fevereiro, 40 dias, um jogo a cada 5 dias. Ainda não chegamos ao ideal de um jogo por semana mas ninguém pode dizer que o elenco principal do Bahia joga em intervalos menores que os dos demais rivais das competições que disputa.

“O time ainda não encaixou”

 Do time titular que enfrentou o Fortaleza no último domingo, 7 estavam no elenco de 2018 e depois ainda entrou Elber, outro remanescente.

“O adversário é qualificado”

A versão 2019 de “não tem mais bobo no futebol” é facilmente refutada. Até agora, Enderson e seus comandados enfrentaram apenas um  rival de Série A que em teoria é mais qualificado que os demais, o Fortaleza. Dos demais rivais nacionais, até mesmo o Vice está a léguas de distância em termos de qualidade de elenco. O humilde Liverpool uruguaio só havia feito um jogo antes de nos eliminar Ainda assim, de 8 partidas, só ganhou 2.

Chama a atenção também a quantidade e a frequência com a qual a defesa titular é vazada. Apenas na estreia contra o CRB e na partida de volta da Sul-Americana o time não levou gols. Ambas terminaram 0x0 e uma custou a eliminação da competição continental.

Notem que não mencionei nenhuma fala do treinador na qual ele assume sua parcela de culpa/responsabilidade. Em seu mundo fantástico bizarro, Bob ao ser perguntado sobre isso me mandaria perguntar no posto Ipiranga já que ele próprio é incapaz de fazer uma mea culpa.

O Bahia já disputou 5 de uma série de 7 jogos fora de casa. Nestes,  pôs em xeque a classificação para a segunda fase da Copa do Brasil, perdeu a vaga na Sula, saiu do G-4 da Lampions e não consolidou a liderança no estadual.

Como resultado disso, a torcida que iniciou o ano empolgada com loja, contratações, retorno de ídolo e expectativa de voltar a dominar a região começa a perder o tesão por ir aos jogos ou até mesmo por assistir ao desempenho frustrante e anêmico dos comandados por Enderson.

Restam ainda ao Bahia outras 2 partidas antes do próximo Bavice: sábado contra o Altos em Teresina e quarta de cinzas contra o Santa Cruz-RN em Natal. São as  últimas chances para que Enderson e Cia consigam amenizar a irritação da torcida com esse início de ano.

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