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Coluna

Publicada em 26/02/2020 às 03h29

Como Bell Marques já dizia

Aproveitei o período de carnaval para mal-traçar essas linhas e falar de algo no Bahia que me incomoda desde 2015. Alguns podem dizer que o texto saiu com atraso de duas semanas mas, na verdade, enquanto o time não ganhar um título relevante ou obtiver a hegemonia regional, o que direi a seguir seguirá atual e tempestivo.

O meu calo com o Bahia democrático tem a ver com seu medo de ser feliz. Por diversas ocasiões, desde a democratização do clube, vimos escorrer entre os dedos títulos, resultados e metas que horas antes pareciam factíveis ou mesmo garantidas. A eliminação para o Ríver-PI é a mais recente e este link rememora outras.  

Acredito que cada um de nós consegue apontar uma ou mais razões que expliquem esse comportamento musicado pelo Chiclete com Banana nos anos 80. Mas em vez de listar o que acho que sejam as causas, vou desmistificar algumas que são/foram usadas com mais frequência:

Salários atrasados e clima ruim entre elenco e direção: a própria direção espalha aos quatro ventos que não existe atraso salarial pelo menos desde 2014. A nova fama de bom pagador inclusive tem ajudado a atrair bons nomes recentemente e a manter alguns nomes importantes, alvo de assédio de fora.

Elenco não teve pré-temporada: nenhum time de elite no Brasil consegue fazer uma pré-temporada decente. Além disso, as brochadas diante do Ceará  e do Santa Cruz pela Copa do Nordeste em 2015 e 2016 respectivamente não podem ser explicadas com esse papo.

Dívidas e orçamento reduzido não permitem a construção e manutenção de um elenco competitivo e vencedor: isso pode ser fator determinante para um rebaixamento na elite ou para campanhas medianas no regional e estadual. Contudo, quando perdeu para cearenses e pernambucanos, as folhas salariais das equipes eram no mínimo parelhas. O tão chorado 14° orçamento da elite torna-se facilmente o maior orçamento do nordeste.  E ainda assim, viramos filhos do Sampaio Correia.

O Sampaio inclusive merece um capítulo à parte. a perda do título da Lampions de 2018 pra mim é o exemplo mais claro do medo de “montar na lambreta”. Alguns podem dizer que naquela tarde/noite deu tudo errado pro Bahia que massacrou os maranhenses. Mas pra mim ali ficou evidente que o elenco e a direção não conseguem lidar com situações adversas dentro de campo.

Para o Bahia não vencer basta que seu adversário abra o placar. O máximo que conseguirá é um empate. Pior, quando vai para uma decisão com a situação a seu favor, não raramente fracassa e consegue às vezes o mais difícil sendo eliminado ou perdendo o título da competição.

A vaga na Libertadores via Campeonato Brasileiro é a nova Lambreta do Bahia. Já houve temporada recente que até o oitavo colocado teve direito de disputar a fase pré-grupos. Ou seja, metade dos clubes que não foram rebaixados classsificaram-se para a maior competição continental do país. E ainda assim, “seo” Bahia  perde em casa pra Chapecoense com a Fonte Nova cheia e termina a competição na segunda metade da tabela.

As décadas de má-gestão interrompidas em 2013 foram sucedidas por uma fase de muito trabalho extra-campo digna de toda sorte de elogios. Por outro lado, o “intra-campo” tem como resultado um futebol anêmico, covarde, resignado e por vezes submisso aos times do eixo e mesmo times inexpressivos do continente ou da região nordeste.

Sempre haverá quem diga que em 2017 batemos o vice e o ixpó na Lampions e que ganhamos 4 dos 6 estaduais disputados desde a intervenção de 2013. Ou que demos 3x0 no Flamengo ano passado. Daí eu lembro que no auge dos Guimarães fomos bi-campeões do nordeste e pegamos 2 mata-matas com os futuros finalistas dos brasileiros de 2000 e 2001.

Não vivi os anos 60 e 70 mas pude ver um tetra estadual, um Brasileiro e uma disputa de Libertadores. Meu parâmetro é outro e como sempre faço questão de destacar, baseado em fatos. Contra esses não há argumentos.

Em seus derradeiros meses diante da presidência do clube, Guilherme Bellintani precisa usar sua inteligência acima da média para iniciar uma mudança de mentalidade no clube, deixando de usar o passado sombrio como desculpas para tudo e usando aquele Bahia guerreiro, humilde e multicampeão que praticamente morreu nos anos 90 como exemplo para jogadores, comissão técnica e corpo diretivo.

 

PS: agradeço antecipadamente a quem comentar meu texto. Como não tenho facebook, fico impossibilitado de responder algo por aqui. Mas quem quiser, pode falar comigo no twitter: @vladimir_bahia. Lá a corneta é diária.

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