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Coluna

Cássio Nascimento
Publicada em 08/02/2020 às 22h47

Ações negativas de um ano que mal começou

Recentemente, saiu nos portais de imprensa o caso de um motoboy que foi acossado por um policial militar, aqui em Brasília. De acordo com versões de noticiosos locais, o referido motoqueiro, entregador de um desses inúmeros aplicativos, parou na porta de um condomínio residencial para entregar o pedido de algum morador, estacionando seu veículo junto à guarita do prédio. O porteiro havia alertado o piloto-de-corredor que o mesmo não poderia estacionar ali, no que foi repelido com pirraças. Neste ínterim, aparece um policial militar à paisana, morador do prédio, o qual ordenou que o entregador retirasse a motocicleta dali, usando palavras de baixo calão e de arma em punho. Algumas ameaças de agressão foram trocadas; e, finalmente, o entregador foi para a delegacia junto com PMs em serviço e o de folga, onde foram feitos os procedimentos de praxe para casos como este.

Nas redes sociais, dia seguinte, o motoqueiro aparece, em tom choroso, alegando que é “pai de família” e que “a polícia é violenta”, dentre outras frases desabonadoras aos militares. O Tribunal do Facebook, célere que é, condenou os policiais militares de todo o Brasil, com as frases de efeito costumeiras, pela “absurda e inaceitável” agressão contra o trabalhador. Um megaprotesto dos motoboys ocorreu na porta do prédio, com palavras de ordem para que o suposto mau policial fosse punido exemplarmente.

No dia seguinte, surge a notícia de que a humilde residência do motoqueiro tinha sido “invadida” por dezenas de policiais militares, numa dessas periferias candangas outrora imortalizadas por Manfredini et al no século passado. O motivo: após algumas buscas, os agentes da lei concluíram que a motocicleta do entregador era roubada e sua placa clonada. Finalmente, o trabalhador foi preso, conduzido à DP e liberado após audiência de custódia. Responderá pelos crimes de receptação, adulteração de veículo e falsificação de documento.

Os PMs, talvez no afã de vingança ou querendo mostrar algo à população, começaram a intensificar as blitzen em pontos aleatórios da capital federal, enfatizando as motocicletas. Suposta conversa vazada por algum aspirante-a-interceptador mostra um grupo de zap composto por policiais combinando a suposta vingança contra os profissionais do grau.

Pronto.

Mas o que isso tem a ver com o Bahia?!

Temos um presidente genial, simpático, que responde tudo na lata, espirituoso, gente boa, com cara de Playmobil e uscambau. Um clube com orçamento de quase duzentos milhões de reais, disputando o troféu Paulo Guedes de clube mais saudável financeiramente do Nordeste ou o troféu de clube mais coitado quando perde uma classificação “na cara” para a Libertadores, ficando atrás de grandes nomes do Phutebol internacional como Goiás e Fortaleza (o Tricolor dos Mil Escudos). Quando perde nove jogos seguidos “é fase”; depois da desclassificação vergonhosa, “estamos em reconstrução”. Divisão de base que nada conquista, time de transição laboratório de empresário, e o diretor de futebol, há anos no clube, chancelando tudo isto.

Perder para o rival depois de doze clássicos e de um obscuro time do mais obscuro ainda (em termos de futebol) Piauí não é “fase”. Dentro de campo, a despeito das razoáveis contratações, o mesmo desempenho do segundo turno do Brasileiro passado. Conforme anunciei em textos anteriores, a crise intracampo do Bahia tem elos de uma cadeia que pouco a pouco vão surgindo. Creio que, após as duas últimas partidas, não resta dúvida que chegamos a um dos elos principais dessa corrente da mediocridade.

Quando a gente erra uma vez, pode passar despercebido. Quando erramos reiteradas vezes e nos justificamos exageradamente, sempre na defensiva, é sinal de que existe algo de errado por trás. Quando irritamos alguém, a depender desse alguém e da circunstância, a reação é, por vezes, imediata e avassaladora: tudo será esmiuçado e questionado.

O tal motoqueiro, se tivesse ficado calado e se retirado do local proibido, teria seguido sua vidinha, livremente, matando fomes pelas infindáveis vias do Distrito Federal sem ser incomodado. Bateu de frente com quem não deveria, o que despertou a atenção das autoridades policiais e judiciárias, que investigaram até o borrão nas cuecas do dito cujo – uma reação em cadeia que causou mais detenções de motociclistas e incomodou outros tantos.

As maiores mudanças no Bahia, e o maior despertador de sua torcida, ocorrem quando perde daquele clubeco da jazida de metano lá de Canabrava. Sigo na torcida que a torcida enxergue que treinador que fala demais dá bom dia a cavalo; que diretor de futebol que contrata demais não é burro e que centroavante que fala demais tem que jogar onde o seu carinho permitir.

Isso posto, sabendo que Roger segue prestigiado pelo “indignado” presidente tricolor, esperamos que os desdobramentos deste pífio resultado acordem a torcida para os maiores culpados dos dois triunfos em cerca de quinze jogos. Dentre eles, não estão Douglas, Flávio ou Fernandão. E nem Gilberto.

A julgar pela eterna fase, final do ano teremos tido um presidente apenas igual aos antecessores dentro de campo, que deve sair sem prefeitura, sem título importante, sem nada. Torço para que o Sr. Belintani procure uma secretaria de governo qualquer após o pleito municipal deste ano: de preferência uma que cuide de direitos humanos e ação social, pois nisso ele é muito bom. Agradeço pelos avanços administrativos, financeiros e patrimoniais, pois disso ele entende e muito. Sem mais.

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