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Coluna

Publicada em 21/08/2020 às 10h42

A torcida virou a chave

Instantes após o empate contra o São Paulo escrevi no twitter que estávamos putos por ter feito 7 pontos de 9 possíveis nas três primeiras rodadas do Brasileiro. E a indignação é mais do que válida. Não apenas pelas circunstâncias do jogo (pênalti desperdiçado, gol perdido por Elber, bola na trave no final e recuo excessivo do time no 2º tempo) mas pelo contexto geral do Bahia.

Os tempos de clube bagunçado e desmoralizado ficaram para trás há algumas temporadas. O elenco de jogadores nômades ou cedidos gratuitamente pelos elencos inchados do sudeste, também. Temos vários jogadores em sua terceira, quarta e até quinta temporada no clube. Podemos dizer que eles já absorveram o que significa jogar num clube de fora do eixo mas tradicional e com torcida de massa. A estrutura física do Bahia hoje o coloca entre um dos melhores do país. Salários e bichos atrasados foram enterrados pouco depois da democratização do clube, lá em 2014.

Para ajudar ainda mais o time em campo, as arquibancadas estão vazias desde antes da Pandemia. Lembrem-se que já no jogo contra o péssimo América-RN atuamos sem a pressão da torcida adversária e a corneta de parte da nossa. O clima de “baba da firma” nos dias de jogos tirou muito da influência do mando de campo. Isso é positivo principalmente para times que buscam ajustes e para que jogadores jovens adquiram confiança para assumir o protagonismo dos jogos.

Roger e sua equipe abriram mão de tudo isso na Copa do Nordeste e insistiram com um mesmo time ruim e burocrático contra adversários de séries inferiores. Depois de ser anulado pelo atual vice-lanterna do Brasileiro nas finais da “Lampions”, e de apelar para não perder o tri do Baiano, parece que o comandante despertou e passou a mudar o time em busca dos melhores e não dos mais caros ou experientes. Mas uma coisa ainda está descompassada e é mister que mude de hoje pra domingo:

O Bahia não é mais um figurante da Série A. Se ainda não é protagonista, que seja um coadjuvante digno de indicação ao Oscar.

A forma como os jogadores se comportaram no segundo tempo de ontem, especialmente nas raras chances que tiveram de matar o jogo, precisa ser combatida tanto pela diretoria, que vive no vestiário, quanto por Roger e seus colegas. Nas entrevistas pós-jogos a mediocridade e resignação eram visíveis também.

Nunca vim um começo de Brasileiro com tantos times e jogos ruins. É um mar de mediocridade e até aqui, pelo menos até o primeiro tempo de ontem, estamos conseguindo flutuar nele. É preciso ser pragmático e oportunista. O Bahia ainda não tem mentalidade nem força pra ser campeão ou disputar o G-4 do Brasileiro até a 38ª rodada. Mas nesse momento, quando os elencos mais ricos e favoritos estão tropeçando, é obrigação nossa somar o máximo de pontos possíveis, tanto dentro quanto fora de casa.

Se vamos encarar Palmeiras e Flamengo sem o apoio de nossa massa, o mesmo ocorrerá com um Ceará cambaleante e um Grêmio ainda instável, longe de Salvador. Esses quatro jogos que chamo de Vale da Sombra da Morte serão determinantes para o futuro de Roger e até mesmo do Bahia na competição. No segundo turno, historicamente esses clubes disparam por terem menos competições em disputa e um time mais forte e azeitado.

Precisamos nos aproveitar que os sudestinos ainda estão buscando um rumo e derrubá-los agora.

Nossa torcida não é burra. Já percebeu a oportunidade que se apresenta diante dela e seguirá cobrando que Roger, Bellintani e o elenco entreguem aquilo que é devido: um time corajoso e determinado a recolocar o Bahia entre os principais clubes da elite brasileira. Nada menos que isso.

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