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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 14/06/2019 às 11h27

A saga do Bahia no VAR

A saga do Bahia jogando contra o VAR virou filme de terror em três dimensões. O que os olhos não dimensionam nos lances repetidos pela TV em câmera lenta, e nem o auxiliar de linha consegue enxergar outra coisa que não seja a ilegalidade do lance, os árbitros de vídeo se encarregaram de nos mostrar um 3D cheio de linhas vermelhas para justificar uma decisão.

Assim o futebol perde a graça. Tridimensioná-lo demoradamente para então decidir um lance abre uma condição para afastar o torcedor dos estádios, porque os caras das cabines vão paralisar um jogo por tantos minutos quanto necessários até encontrar um milímetro de dedo do pé que dá condição legal ao adversário ou um fio de cabelo esvoaçante em 3D para enfim legalizar o lance. Só não vi tanto cuidado assim em outras oportunidades...

-- Voltemos no tempo só para lembrar a Copa Sul-Americana do ano passado, quando o Tricolor foi impedido, por erros do VAR, de seguir adiante e até ganhar o torneio. Entretanto quem logrou benefícios com os equívocos até em lances fora das atribuições do VAR foi quem levou a taça que provavelmente seria do Bahia não fossem sucessivos erros crassos -- inadmissíveis.

Nesse dia 12 de junho, jogavam Inter x Bahia, um jogo que prometia espetáculo dos melhores devido à boa fase técnica pela qual os dois times atravessam.  Mas eis que de repente a arbitragem resolveu dar uma parada no jogo para achar uma agulha no palheiro e só o recomeçou quando imaginou ter achado.

O árbitro central fugindo ao seu dever de olhar no vídeo, já que o lance tinha se revelado potencialmente polêmico, permitiu que transcorressem três minutos e meio de enrolação para validar um gol e mostrar que na verdade o VAR é quem está assumindo o bônus e o ônus, e não o árbitro central. Esse é um ponto que deveria ser discutido por eles à exaustão, até esgotá-lo.

 – Este colunista não aventa nenhuma ação de má fé, coisa que prefiro tirar completamente do contexto, porque não foi o caso. Discuto apenas a extrema burocracia que contém o recurso eletrônico e que em minha modesta opinião deveria ser simplificada porque há meios para isso.

Quero ressalvar  que no projeto original de Manoel Serapião Filho tudo era muito mais simples que essa parafernália que alterou o conceito genuíno e ainda onerou  o custo operacional do VAR. O original previa apenas um árbitro e mais um auxiliar, talvez, numa cabine no comando do AV – assim denominado por Serapião no seu projeto inicial.

Na verdade, o IFAB – International  Football Association Board –,  órgão mundial responsável pelas regras do futebol, é quem aprova ou desaprova independentemente da FIFA qualquer projeto referente às normas do futebol. A FIFA apenas põe em prática. Ou propõe alterações contextuais.

Na redação original, houve uma mudança necessária, que foi o IFAB não tirar a soberania do árbitro central, levando em conta que no projeto de Serapião a soberania seria do VAR nos lances capitais, isto para dar mais dinâmica ao jogo e não ser interrompido a todo instante. Porém, o árbitro ficaria submisso e sem autoridade completa – o que a priori, em minha opinião, caberia maior discussão.

Entretanto, quando nos deparamos com atitudes omissas como as do Paulo Roberto Alves, juiz da partida desse dia 12 no Beira Rio, não fazendo a devida consulta ao vídeo e preferindo agir por indução em detrimento do simples ato de tirar a dúvida com seus próprios olhos e elevar seu nível de convicção, concluo que, se é para agir dessa forma, melhor deixar tudo sob o poder do VAR, e o árbitro central assume apenas a sua condição de mediador sem poder de decisão. 

Melhor seria preparar árbitros exclusivos para a execução do novo sistema auxiliar e supervisionados na sala de vídeos, pois da forma atual não faz sentido continuar usando a tecnologia em detrimento da realidade dos lances em campo. Que bem o diga o E.C. Bahia, que vem sofrendo na pele as consequências desse "aprimoramento" do VAR desde o ano passado.

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