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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 13/02/2020 às 22h45

A largada é progressiva e não mágica

Diferentemente da maioria das opiniões, achei que o Bahia esteve bem contra o Vitória. Não vi a tragédia que a passionalidade propalou. Todo clássico é uma incógnita em qualquer lugar do mundo. Vale  lembrar ainda que o goleiro adversário foi disparado o melhor jogador em campo, e não à toa. Porém, quando um resultado não é positivo tem de ter culpados e acharam logo dois... Roger e Douglas.

Roger Machado foi o bode expiatório que o torcedor precisava para extravasar um compreensível inconformismo, afinal o seu Bahia ficou de fora da Copa do Brasil por uma falha de Douglas e no clássico que aconteceu logo após o fiasco no Piauí uma nova falha do goleiro tricolor foi determinante para a derrota fora dos planos do torcedor e de todo o Bahia. Alguém precisava ser culpado pelo “vexame apocalíptico” e, no entendimento do torcedor, ninguém melhor que Roger para isso.  

Não concordo com essa bipolaridade generalizada que assola as torcidas no Brasil. Quando ganha é o melhor e quando perde é o pior. Todo clube de futebol organizado tem um projeto arquitetado e bem planejado para cada temporada, e o Bahia o tem. E ainda assim, ao longo do ano, em cada fase do calendário o futebol vira uma guerra onde a maioria das batalhas devem ser vencidas. Se ceder à pressão o planejamento vai pro vinagre e sem ele perde-se essa guerra.

Apesar de eu não concordar com a ideologia progressista de Bellintani – leva-me a pensar que seu desejo é fazer do Bahia um Partido Político, ONG, ou sei lá mais o quê –, por outro lado entendo e aplaudo o Presidente do Bahia quando ele segue um estilo filosófico de continuar com a mesma Comissão Técnica convicto de não trocar de calça na primeira “bala” que zunir no seu ouvido.  Como líder do exército Tricolor ele precisa conduzir o pelotão com inteligência e coragem para passar a confiança que os seus liderados necessitam, e isso ele o faz muito bem.

Entendo que os dois lados – torcida e clube –  têm o mesmo objetivo, ganhar sempre. Mas evidentemente têm pontos de vistas  diferentes. Um lado acha que com uma varinha de condão troca-se o técnico e faz esse time largar a 200 km/hora em início de temporada. O outro lado faz a leitura de forma correta e entende que a largada é progressiva e não mágica.  

Roger é um profissional  legitimado pelo seu caráter e competência, que conta com apoio total  do Presidente Bellintani. Não foi por acaso que o Treinador recusou propostas de outros clubes que queriam tirá-lo do Bahia, e com os quais nem quis discutir o assunto.  Esse é o fiel da balança que tem de ser observado cuidadosamente porque são valores que somam a outros valores.

Julgar um trabalho de uma equipe inteira – jogadores e comissão técnica – e dar um veredito ao fim de apenas quatros jogos como se ninguém fosse de carne e ossos e como tal não precisasse de treinamento, adaptação às novas metodologias, esquemas táticos, entrosamento e ponto fisicamente ideal do atleta, é no mínimo uma precipitação açoitada pelo imediatismo do excesso passional.

Como em todo campo profissional, seja iniciando ou recomeçando, é necessário explorar, medir e avaliar resultados, interpretar reações e tentar padronizar métodos e meios de ensino para que as pessoas possam entender o significado do que se quer delas assimilando conceitos para que isso se torne de interesses do grupo na aplicação de um novo modelo de trabalho.

Tudo torna-se muito dinâmico a partir do processo de evolução. O Bahia de hoje não pode e nem deve ser igual ao do ano passado porque aquele não deu certo do meio da jornada em diante devido à saturação de um único esquema tático que cabia naquele time. A matéria prima disponível  era limitada quantitativamente. Lembro-me que o próprio Roger, meio que desiludido na reta final, disse “não tenho mais de onde tirar desse grupo, chegamos ao limite”.

Não era de má qualidade que ele falava, sim de disponibilidade maior de uma condição para que lhe facilitasse uma clareira dentro daquela bruma  onde o time entrou e não acertava com a porta de saída. Apesar de o grupo ser quase o mesmo do ano passado é preciso reciclá-lo ensinado  métodos e conceitos novos. Isso não se assimila somente com treinamentos, sim usando métodos  PNL – Programação Neurolinguística – e com a sequência dos jogos.

DOUGLAS

Grande goleiro e com serviços prestados ao Bahia de forma indiscutível. Fases ruins passam com treinamentos e foco no objetivo. Logo Douglas estará de volta completamente recuperado. Este colunista torce muito por você, Douglas. A torcida do Tricolor sabe o seu valor e certamente deseja vê-lo em sua melhor forma que o trará de volta aos jogos defendendo o Bahia.  

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