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Coluna

Esaú Moreira
Publicada em 03/06/2019 às 22h23

A dificuldade de ser ídolo do Bahia

 

A chegada de Fernandão em Salvador no dia 23 de janeiro reascende na torcida do Bahia, um fenômeno que há muito tempo não se via por aqui: a idolatria. O que deixa uma parcela pequena (dessa, uma grande parte de torcedores mais antigos) da nação intrigada com tanta euforia e se perguntando o por quê disso. Alguns argumentariam que, o momento no qual Fernandão esteve aqui ele foi decisivo para nos salvar de um rebaixamento com fundamentais gols contra o Náutico, Botafogo, Portuguesa, Vitória-BA, e seus 18 gols naquele ano que nos somaram muito, de fato. Os mais novos acrescentariam ainda o seu engajamento junto ao clube nas mídias sócias, é, talvez. Os mais céticos (FON FON) dirão que é carência, o que tem uma certa lógica, mas não sou dessa turma, confesso. O certo é que isso é muito pessoal e difícil de afirmar com a lógica, até pela distância entre “lógica” e “emoção”, um ídolo é algo muito pessoal.

Vivemos há pouco tempo a época mais sombria de todas, e sou um azarão, pois foi justamente quando eu comecei a acompanhar o clube. O período entre 1997 até 2009 foi doloroso demais, e ser Bahia era duro. Tivemos sim alguns ídolos nesse meio tempo, como Ueslei Pitbull, Nonato, Bebeto Campos, Emerson, Marcelo Ramos. Como era difícil gostar de alguém com o time do jeito que estava, mas eles tiveram um apelo bom com a massa tricolor. O maior problema era, do que adiantava ter esses caras jogando se o time decepcionava dentro e fora de campo, e “perdia a sua grandeza” a cada dia que passava, e o seu elo mais forte se mantinha: a torcida. Essa, ia aprendendo uma lição que outras grandes torcidas já tinham aprendido: os jogadores se vão e o clube fica.

A desilusão nesse período sombrio era grande e os dirigentes eram apenas mais um que não só nos fazia raiva, mas também nos jogava pra cada vez mais fundo no poço. Considero que só tivemos um presidente que foi unanimidade, esse foi Osório Villas Boas, apesar de respeitar todos os outros que passaram, mas ambos em algum momento “deslizaram” deixando a torcida com uma pulga atrás da orelha. A época “pré-democrática” (para não usar um termo mais forte) foi ultrapassada por um trator intervencionista que nos salvou e promete nos ajudar com um futuro brilhante, assim esperamos, com toda a fé. A verdade é que novamente a torcida mostrou que é diferente, resiliente e que é exigente (diferente do outro lá que exige esvaziando estádio e abandonando o clube). Dirigentes se vão e o clube fica.

Saindo do período sombrio (assim esperamos de uma vez por todas e para a eternidade), tivemos alguns protagonistas que por um motivo que o palpiteiro aqui não sabe explicar, não tiveram apelo do público que Fernandão tem (uns chegam até a “não deixar saudade”) e me espanta, como por exemplo: Souza “caveirão” com seus 46 gols, Fahel que sempre deixava os seus de cabeça e tinha raça sem igual, Gabriel que decidiu em 2012 no Bahiano e Brasileiro, Renê Junior que jogou o fino da bola em 2017, Régis nosso craque em 2017, Edigar que marcou o gol do nosso título de maior expressão dos últimos anos e Zé Rafael que desequilibrou por muitas vezes e é a nossa maior venda até o momento que escrevo aqui. É estranho mas falar em idolatria á Fernandão que não obteve nenhum desses feitos, é uma disputa desleal para os outros. Fernandão deu um até logo, não se foi.

A torcida do Bahia se basta. É, o nosso “mecanismo de defesa” foi esse. Com tanto sofrimento, jogadores indo embora, dirigentes lamentáveis (sim, vou segurar a língua), quem nunca abandonou o barco foi a torcida, será que dá para mensurar o que são 60 mil em uma Série C? Torcida de ouro? dá. Espero que tenhamos mais ídolos que nos ajudem, que isso mude, será difícil. Nada de Zico ‘s, Pelé’s, Renatos Gaúchos, Garrinchas, Raí’s. Bobô e Baiaco, nós te amamos porém esse status de “seres supremos” que as outras torcidas dão aos anteriormente citados, vocês não têm. Aqui temos João, Zé, Carlos, Juremas, Marias, temos a Nação Tricolor, que repetindo, se basta.

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