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O futebol profissional não comporta mais isso
8/12/2009

Djalma Gomes



Final de ano, fim dos campeonatos de Primeira e Segunda divisões, um título de glória para o Flamengo e um título de honra para o Vasco. Para o Flamengo foi algo inesperado, pois a pretensão era estar na disputa da Libertadores da América, mas se o Flamengo pretendeu um cafezinho e deram-lhe um almoço, fazer o quê?

O Vasco de Dinamite fez o seu papel ao provar do fel e não gostar. Lutou organizadamente e voltou à mesa onde só se bebe vinho envelhecido com acompanhamento de queijo suíço. No Rio de janeiro tudo foi bem no futebol...

O que não foi bem foi o outro Rio, o Rio Grande do Sul... A vergonhosa palhaçada da diretoria gremista para não ajudar indiretamente ao Internacional, lançou excrementos num final de campeonato que tinha tudo para ser a melhor disputa dos últimos anos e cravar como modelo definitivo, por pontos corridos, os próximos campeonatos brasileiros.

Ficou feio para o Rio Grande do Sul, pior para a diretoria gremista, que abriu precedente perigoso, e azedo para a CBF, que vai ter que engolir o limão sem descascá-lo. Não vai ser digerido com facilidade no estômago dos dirigentes da CBF, disso o Grêmio pode ter certeza. É só esperar pra ver. Ou não.

Mas cobrar honra dos cidadãos neste País, onde os governantes não dão exemplo algum de honestidade, fica difícil e vergonhoso, pois já chegamos na Era que Ruy Barbosa previu.

A arruda, que pertence à família das rutáceas aromáticas e medicinais, que dizem, espanta "mau olhado", estão murchas de vergonha desde que surgiu em Brasília um outro tipo de arruda, que ao invés de perfume tem o odor insuportável de panetones expelidos pelo organismo 24 horas após a ingestão.

Um sujeito andava pela praia em plena segunda-feira bem cedinho, ia chutando o que encontrava pela frente: latinhas, camisinhas cheias de areia, caranguejos mortos, garrafas plásticas, "pombo" embalado em saco plástico, enfim, essas coisitas tão normais em nossas praias...

Eis que entre um chute e outro, na medida em que o distraído moço progredia na caminhada, chutou uma garrafa e a quebrou... Dos escombros da garrafa surge um gênio e diz a ele: sem blá-blá-blá, meu jovem, faça logo um único pedido.

Atônito com a aparição, mesmo assim ele pede: eu gostaria de conhecer o Arquipélago de Fernando de Noronha, mas tenho medo de avião e de navio eu passo mal, o senhor não poderia construir uma ponte para mim?

Você está louco!! Pense na logística dessa construção... A profundidade do mar, a distância, bilhões de sacos de cimento, aço, vergalhões... Não, não dá. Faça outro pedido...

Ok, ok, mas deixa-me fazer três pedidos... Ensina-me como entender as mulheres, os dirigentes de futebol, e finalmente faça com que os políticos sejam honestos e menos mentirosos... Tá bom! Tá bom! Com quantas pistas você quer mesmo a m... da ponte, com duas ou quatro??

Com todo respeito às mulheres, mas esses pedidos são extremamente difíceis de ser atendidos. Só o cidadão que quebrou a garrafa não sabia.

Será que mais um título indo para o Rio Grande do Sul não seria fazer o futebol de lá ainda mais forte? E ao STJD, uma humilde pergunta: colocar um time reserva, com clara intenção de má fé, não seria pior que incentivar - com dinheiro, como dizem que rolou na segundona - para ganhar? O que eu pensava acontecer só na Bahia, vejo que acontece numa escala ainda mais ampla no Rio Grande do Sul. O futebol profissional não comporta mais isso.

Mas eu falava mesmo era do encerramento da jornada de todos os clubes, neste ano.

Por aqui Bonamigo cedeu à tentação dos petrodólares e bateu asas! O presidente Marcelo procura outro nome, dizem que de preferência da escola gaúcha ou mesmo o baiano Chamusca. Mas qualquer notícia que não seja oficial é melhor não dar muito crédito nesta época de férias e especulações.

Prefiro me ater ao compromisso do Bahia para com a sua torcida que é o de subir em 2010. Não comungo com os que pensam que a Série B, seguinte, é uma "barbada". Times como a Portuguesa, Ponte Preta, Sport, Figueirense, Paraná, São Caetano, América-MG, Náutico e Santo André, estão se arrumando para subir, depois tem aqueles que crescem dentro da competição e tornam-se zebra perigosa.

A Segunda Divisão é sempre muito difícil por uma série de fatores: campos ruíns, juizes fracos, correria superior a técnica, dificuldades financeiras, alçapões etc...

Ao Bahia a missão dura de subir, e dessa vez para valer mesmo. A torcida não aceita mais outra condição. O próprio Bahia em si já não aceita outra condição que não seja estar na Primeira Divisão em 2011. A base está aí: Marcelo e Fernando, Nen, Alison e Menezes, Leandro, Marcone e Bruno Silva, Marcos e Bebeto, Ananias e Roberto, e possivelmente Paulo Isidoro, Nadson, Alex Maranhão e Hélder.

Que a oposição se organize de forma eficiente e compenetrada, como parece que está tentando fazer, até para o bem da administração de Marcelinho. Nada progride nas instituições públicas se não houver cobranças bem feitas por uma oposição marcante e consciente do seu papel.

Que Marcelinho, Thiago Cintra, Elizeu e os demais tenham suficiente tranquilidade para cumprirem suas tarefas. Eu torço muito para que o time comece o ano de 2010 embalado no Campeonato Baiano e entre no mesmo diapasão no Brasileirão. Com as vitórias o ano ficará bonito e a tranquilidade apontará o Norte para o E.C. Bahia.

Djalma Gomes, 64 anos, é representante comercial.

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