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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 18/10/2018 às 10h28

Vaia, uma espécie de fogo amigo

Nem sempre o que é necessário é justo, e nem sempre o que é justo é necessário. É uma questão do bom senso crítico. Refiro-me às vaias que estão se tornando uma prática com ares de “perseguição” por uma parte da torcida a Zé Rafael. Exigir sensatez na aflição de uma torcida que a bem da verdade tem seu time lutando para não cair, vendo eventualmente um resultado desfavorável se desenvolvendo durante uma partida dentro de casa, é admissível. Agora, aceitar a vaia como algo positivo em circunstância decisiva é o que não faz sentido.

O Bahia jogava contra o Paraná em Pituaçu, lutava em busca de um resultado positivo e esperado por todos, mas nada dava certo e as vaias começaram, foram aumentando e todo o time começou a senti-las. A vaia é uma espécie do fogo amigo que nunca ajuda durante um jogo, só piora uma situação onde só o incentivo é capaz de reverter um momento ruim.

Entretanto, essas vaias não estavam sendo dirigidas ao time, este apenas as sentiam de forma passiva. A direção das vaias apontavam claramente para Zé Rafael. Ora, é nesse ponto que entra a questão do que pode ser necessário ou justo. Dá para questionar o futebol que Zé Rafael vem apresentando? Sim. Mas observando pelo limite físico do ser humano, chegaremos à conclusão que o jogador deve estar sofrendo as consequências do desgaste físico e mental por tanta dedicação em campo ao longo, principalmente, de duas competições no curso de suas fases finais, respectivamente.

Salvo engano, Zé é o jogador que mais atuou pelo Esquadrão – acho que aproximadamente 120 vezes ao longo de duas temporadas e isto prova o quanto ele se empenha para honrar a camisa que veste. Ademais, é de boa fé entender que por pior que seja a sua fase, tecnicamente falando, empenho e camisa suada é o que jamais faltam a ele.

Há insinuações de que o jogador caiu de produção desde que o Palmeiras anunciou, segundo a imprensa, que em 2019 ele estará vestindo a camisa Palmeirense. Nenhum jogador profissional de caráter limpo, como demonstra esse atleta "operário" do Bahia, faz corpo mole em tais circunstâncias, pelo contrário, quer cada vez mais aparecer bem para chegar no futuro clube com a camisa titular.

O que respalda um profissional é o seu estilo e a busca pelo melhor dentro de campo, bem como o seu comportamento no clube que defende. Essas duas qualidades são inerentes a Zé Rafael. Portanto, as vaias sendo analisadas pelo prisma da emoção do torcedor parecem necessárias para sacudir seu ídolo, porém são equivocadas para a obtenção de uma performance melhor e isso as tornam injustas, pois a história de Zé no Bahia é de uma regularidade intensa e elogiável sob todos os aspectos.

– Se é que algum equívoco aconteceu nesse contexto foi a possível “venda” antecipada por parte do Bahia ao Palmeiras – uma prática, diga-se, comum dos clubes brasileiros com clubes europeus. Não acho isso saudável ao futebol, mas é uma norma permitida pela FIFA e, como quase todo atleta tem preço forçosamente estipulado por multa, isto limita diretamente o poder do clube sobre seus jogadores.

Fato é que as ditas cujas vaias podem desmotivar o jogador que de ídolo pode passar a vilão, e isso não é necessário. Além do fator psicológico dentro de campo no exercício da sua profissão ser afetado e prejudicar o Bahia. Num ambiente desfavorável assim, o jogador perde a vontade de continuar, arruma as malas e fica esperando o tempo passar. Não é esse o caso de Zé Rafael, mas poderá vir a acontecer. Mas para que isso não ocorra depende apenas de o torcedor entender que sua atitude em relação ao jogador tem consequência negativa, porque nesse afunilamento o que lhe parece justo, torcedor – vaiar –,  não é necessário. Incentive-o também na má fase por questão de justiça, até mesmo por tudo que esse jogador tem feito em campo ao longo desse tempo atuando pelo Bahia.

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