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Coluna

Cássio Nascimento
Publicada em 05/12/2017 às 21h57

Tópicos sobre o processo eleitoral – Parte 3: Fernando Jorge Carneiro

Segue a série de textos sobre as propostas dos candidatos à Presidência do Bahia com um dos principais postulantes, que é Fernando Jorge Carneiro (FJ), cujo substituto é ninguém menos que Antônio Tliemont (AT).

Sobre o perfil pessoal do candidato, FJ é mais um ricaço-que-não-precisa-do-Bahia-pra-nada, homem de grande influência em seu meio social, conhecido da Sociedade soteropolitana, do mesmo modo que seu adversário Bellintani e o ex-presidente Marcelo Guimarães I, o Hômi do Futibó... empresário sessentão, ligado aos bastidores do Bahia de longa data, tendo, inclusive, sido candidato a presidente do clube nas eras Pré e Pós - Democracia, além de outras funções dentro do clube. Conhecido líder opositor do Maracajismo-Osorismo, tem uma história de lutas em prol da instituição de novas mentalidades de gestão no nosso Tricolor, sendo uma das principais vozes que conduziram o Bahia ao atual regime democrático.

Abrindo-se um parêntese para AT, trata-se de conhecida figura no meio radiofônico e empresarial esportivo na nossa Bahia. Polêmico em suas declarações, como a de que grupo oponente seria “organização criminosa” e de que uma TV estatal estaria supostamente favorecendo adversários nos debates ao vivo, trata-se de figura boquirrota a qual poderá, uma vez eleito, comprometer o “plano de comunicação com a mídia” anunciado no PG. Além disso, o histórico de trabalhar com gerenciamento de carreiras de atletas pode suscitar a desconfiança da torcida na hora de algum jogador pouco popular entre a torcida ser escalado.

Neste diapasão, o leitor pode se perguntar: qual a principal diferença entre FJ e seu principal concorrente Bellintani? Talvez o choque de gerações: FJ representa o tradicionalismo, a experiência, o culto à personalidade da figura do dirigente, o qual a tudo controlaria com mão de ferro - ao contrário do seu principal oponente, que tenta impor uma imagem de inovação, de juventude, de energia criativa... pelo menos esta é uma impressão que este colunista tem do candidato. Principal diferença seria esta, pois, em essência, as propostas contidas no plano de gestão de FJ são muito semelhantes às do maior adversário.

Falando de propostas, na parte administrativa, gostei da proposta de planejamento estratégico até 2031, desde que os sucessores deem continuidade... fala-se, no PG, em monitorar e utilizar os recursos financeiros de forma responsável, inclusive no futebol. Por sinal, o futebol está calcado no tripé “DADE forte + investimentos na base e profissional baseados nos CTs + metas de desempenho”, discurso que o amigo leitor já escutou ou leu em algum lugar. As mais de 70 contratações na gestão Marcelo Sant’Ana seriam dirimidas de que forma? Qual critério “científico” para contratações seria utilizado no mundo dos empresários e das apostas que não dão liga? Contratar elenco forte não demandaria gastos? Investir em estrutura, idem? Existem exemplos de baixo investimento e alto retorno como a rediviva Chapecoense; bem como há o exemplo do Palmeiras dos banqueiros que foi campeão ano passado. Qual seria a fórmula ideal para o Bahia? FJ fala em contratar jogador apenas com aval das diretorias executiva/de futebol e do DADE, ouvido o Departamento Médico, ok. Mas não teria que ser assim sempre?

É preciso investir em algum lugar, e não exatamente no elenco dentro de campo, pois os bons profissionais que fazem um bom trabalho; e bom profissional custa caro. Boa estrutura custa caro. Talvez não seja o caso de se usar os recursos “com responsabilidade”, e sim com inteligência. Uma das ameaças ao “trabalho de longo prazo” preconizado por FJ estão justamente na pressão da torcida diante do menor resultado adverso, especialmente em pós-clássicos nos quais saímos derrotados. Eis uma coisa que pago para ver qualquer dirigente seguir à risca... nem Sant’Ana resistiu, depois de tanto criticar, como jornalista, práticas imediatistas.

Quanto a base, o velho discurso de “vamos ampliar nossos contatos pelo Brasil”. A proposta de convênios e disputa de diversos torneios internacionais do ramo merece elogios, porém a proposta mais interessante para a base é a de criar uma escola, uma filosofia de jogo que seja a marca do clube. Uma base com uma estrutura bem definida e profissionais qualificados e motivados pode custar o valor de uns 3 jogadores-medalhão...

Percebe-se no PG, ainda, uma tentativa tímida de aproximar o EC Bahia da vida digital. Do mesmo modo que Bellintani, FJ pretende criar uma plataforma digital e tal e coisa. Proposta que é mais insider, e teve pouquíssimo destaque no PG. Poderia o candidato, se eleito, aproveitar o potencial que as redes sociais existentes já possuem, e monitorar tendências entre os torcedores, mas parece que rede social morde...

Quanto ao quadro social, não percebi, no discurso de FJ, propostas consistentes no sentido de se implantar cultura de associação em massa. Ok, de repente os dados da plataforma digital e de outras pesquisas de mercado sejam a base para tal... no que diz respeito ao contrato com a Arena Fonte Nova, discutir uma proposta de readequação das condições para uso da praça é algo que não se discute quanto sua necessidade. Porém, quando reclamamos que “está muito elitizado”, não podemos esquecer que não existe almoço de graça, e o Bahia pegou o pacote pronto. No mais, existe uma proposta de uso do Fazendão e Cidade Tricolor com propósitos peculiares para cada um, e a proposta de uso de Pituaçu mediante contrapartida ao governo estadual parece interessante. Boas propostas que podem esbarrar na tão decantada “responsabilidade financeira” e nas infindáveis críticas do passado à própria Cidade Tricolor.

Até agora, nenhum dos candidatos analisados falou em algo concreto no sentido de disseminar a marca Bahia no interior do Estado e fora da Bahia. Não seria o caso de cadastrar as Embaixadas, ligando-as ao clube como faz o Internacional?

Finalmente, vejo que é louvável propor abrir franquias de escolinhas por aí, como proposto. Em Brasília, onde moro, os principais clubes cariocas e paulistas tem suas escolas franqueadas, e o Bahia necessita ocupar este nicho como principal clube do Nordeste.

Resumindo a parada: A dobradinha Fernando Jorge/Tilemont é uma dupla que merece respeito pela tradição no esporte baiano. Representa uma força importante, de viés conservador-tradicionalista (em razão das forças apoiadoras, incluindo-se o ícone Jorge Maia), que é uma das favoritas no presente pleito. Suas propostas coadunam com várias tendências do futebol moderno, enfatizam o Bahia como clube de futebol e mais nada, preocupam-se com o fenômeno de despopularização pós arenas, porém esbarram na aparente falta de propostas mais convincentes no sentido de se formar equipes – de futebol – competitivas, a altura do que espera o torcedor.  Não esclarece, do mesmo modo, como unir responsabilidade financeira à necessidade de investimentos estratégicos. A principal crítica a FJ seria justamente em relação a seu opositor maior: seus planos de gestão são muito parecidos (apesar de FJ aparentar ser mais detalhista no que diz respeito ao futebol e marketing/quadro social), o que é meio contraditório para quem se anuncia como o melhor diante do candidato situacionista.

No próximo texto, breve análise do candidato Abílio Freire.

Saudações Tricolores!

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