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Coluna

Matheus Araújo
Publicada em 05/03/2018 às 18h34

Hashtag Fora Gordiola?

Acredito que eu devia estar entre os mais otimistas torcedores do Bahia quanto ao ano de 2018 e o mandato de Bellintani. Por isso mesmo, também acredito que eu deva estar entre os mais decepcionados com o desempenho do time nesse início de ano, num caso muito comum de bipolaridade oito ou oitenta em nossa torcida.

Apesar de ter resistido com dificuldades ao meu instinto ansioso nas primeiras partidas de um time sem adrenalina, sem raça, sem esquema, sem sangue e sem encanto- daqueles de fazer dormir e roncar- tenho que admitir que minha paciência com Gordiola está no fim desde o jogo contra o Atlântico. Meu lado ansioso chegou à conclusão de que o ano será perdido se o folclórico gordo permanecer no comando técnico do time.

Por outro lado, meu lado sereno, que me recomenda secar algumas muitas latas de cerveja antes do começo de qualquer jogo do início do ano pra poder suportar o tranco e o sono, pondera que a demissão do treinador nesse momento não seria adequada- nem técnica e nem financeiramente-, posto que seu custo ao clube deve ser alto e o histórico de Guto Ferreira mostra que vamos ser felizes nos jogos finais do Baiano e Nordeste.

Por isso, decidi fazer uma análise sobre a atuação de nosso treinador através de uma dialética entre meu eu ansioso, que se manifesta com frequência  durante o jogo, e meu eu sereno, que costuma só dar as caras no dia seguinte. Segue:

Meu ansioso eu tem uma tese e esta declara:

  • que o gordo não é confiável e pode a qualquer momento nos deixar na mão;
  • que temos estrutura física e administrativa como nunca tivemos;
  • que temos o elenco mais qualificado do nordeste;
  • que este elenco tem uma base formada que joga junta pelo terceiro ano;
  • que este elenco não poderia jamais ter perdido de times de velhos obesos como Botafogo-PB e Bahia de Feira;
  • que deveria estar atropelando times fora de série como o lanterninha do campeonato baiano, o Atlântico;
  • que deveríamos estar apresentando um futebol se não vistoso, mas ao menos estar pressionando times de menor folha como o Náutico;
  • que deveríamos ter sufocado o time limitado das galinhas do mamão com açúcar;
  • que se nada disso tivesse acontecido, ao menos deveríamos após a décima partida do ano estar mostrando um padrão consistente de jogo e não parecendo um bando em campo complicando jogos fáceis para decidir no final- sempre de bola parada-  demonstrando muita sorte e matando de raiva o torcedor mais ansioso;
  • que, por isso mesmo, desperdiçaremos o ano mais promissor da última década e meia se o gordo permanecer um dia a mais no comando técnico do time;
  • e que deveríamos buscar o promissor técnico baiano Chamusca que está no Ceará.

Por outro lado, meu eu sereno argumenta em sua antítese:

  • que além de cara é contraproducente sua demissão tão cedo;
  • que o nosso técnico deve ter aprendido uma lição ao nos deixar na mão no passado;
  • que apesar de termos um elenco adequado aos certames do início do ano, suas peças titulares não são confiáveis ao ponto de garantir com razoável probabilidade resultados adequados;
  • que outro técnico seria outra aposta sem garantias de resultados;
  • que as opções disponíveis, inclusive Chamusca, não têm o histórico adequado ao clube;
  • que a temporada iniciou cedo demais, pondo uma pressão por resultados numa altura do ano onde os jogadores deveriam estar se recuperando fisicamente, entrando em forma e os reforços se adaptando à cidade e ao novo clube;
  • que todo técnico precisa de tempo para mostrar seu trabalho;
  • que uma demissão tão precoce daria um sinal de instabilidade e falta de credibilidade ao mercado;
  • que apesar de não estarmos empolgando, estamos invictos há 9 partidas e numa série de 5 triunfos consecutivos;
  • que os times do gordo são assim mesmo e já se sabia disso quando o trouxemos;
  • que o mesmo gude preso que daremos no Jequié com Gordiola, também daremos no vice e no Grêmio;
  • que o histórico do gordo é favorável, pois foi ele quem montou o melhor time dos últimos 17 anos;
  • que foi com ele que voltamos à série A;
  • com ele fomos campeões do nordeste;
  • com ele fomos líderes da série por uma rodada;
  • com ele recuperamos a autoestima perdida;
  • com ele revelamos Juninho e Jean para o Brasil;
  • com ele e por sua indicação fizemos as melhores contratações do Brasil nos últimos anos- Zé Rafael e Gregore;
  • que se o gordinho simpático não souber armar times, ao menos ele sabe indicar bons jogadores baratos ;
  • e que tem uma estrela que brilha junto com a do Bahia.

A parte mais complicada desse trabalho é elaborar sua síntese com uma conclusão ponderada após ouvir atentamente meu id, meu ego, meu superego, amigos corneteiros e amigos entusiastas, blogueiros, youtubers, irmandades, confrarias, embaixadas e fórum tricolores sem dar trela a jabazeiros e abutres politiqueiros e perus.

Assim, pondero:

  • que apesar de nos ter deixado na mão no passado, o gordinho sortudo teria que ser muito burro para repetir o erro humano;
  • que apesar de estar ganhando em lances de sorte em bolas paradas, esses lances são ensaiados;
  • que ter estrela é sempre bom e a sorte só acompanha os competentes;
  • que apesar do risco de perder um ano que se desenhava muito promissor, muito pior seria enviar ao mercado o sinal de que continuamos um clube sem planejamento e credibilidade;
  • que despender recursos financeiros que poderiam ser usados para reforçar o elenco pagando uma multa pela demissão precoce não é racional;
  • que se não empolgamos e não temos esquema, já temos um time que faz e toma poucos gols- quase todos em falhas individuais dos zagueiros que Gordiola nas quais Gordiola tem pouca interferência- como historicamente são os times treinados por ele;
  • que o técnico ainda está em busca da escalação ideal e que ele sempre a encontrou no passado;
  • que ele precisa entender todas as peças mexendo no time quando a busca por resultados diz que deveria manter sua melhor escalação sempre, e faz isso porque a parte mais complicada do primeiro semestre ainda está por vir- com a disputa da copa do Brasil partir das quartas de final e a copa sul-americana- e a hora de experimentar é agora;
  • que para melhor avaliar seu desempenho ainda precisamos enfrentar um time mais qualificado, num bom gramado, dado que os jogadores têm demonstrado grande má vontade em enfrentar times fora de série e jogar em pastos;
  • que Bellintani tem que sondar o mercado para uma mudança de comando contingencial;
  • que Chamusca, apesar de não ter o perfil que desejamos aparenta ser uma promissora aposta identificada com a Bahia e talvez seja até torcedor do Bahia, quem sabe?
  • que Bellintani tem que atuar urgentemente para entender o que se passa entre elenco e técnico, para diagnosticar com precisão a aparente falta de vontade dos jogadores e a falta de esquema do técnico;
  • que a cobrança por resultados deve ser constante, sem criar um clima de tensão desnecessária, apesar de técnico e elenco demonstrarem sangue de barata incomum;
  • que Bellintani precisa cobrar do elenco a atitude condizente com nossas tradições de garra, raça, dar sangue, deixar o melhor no gramado e se superar perante até mesmo o Santos de Pelé;

 

Dessa forma, cheguei à conclusão de que a hashtag  #foraGuto tá por fora no momento por ter mais males que benefícios a curto, médio e longo prazos, mas o sinal pro folclórico gordinho está amarelado indo pro laranja.

Ainda acredito que seremos campeões baianos, do nordeste e faremos um bonito papel na Copa do Brasil e Sul-americana e que tudo que estamos passando é parte de um planejamento profissional realizado por profissionais com um bom histórico de sucesso que já deve estar pondo em curso eventuais correções de rota.

 Amém!

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