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Coluna

Glaydson Luís
Publicada em 25/11/2016 às 18h17

É amanhã, a vez do futebol

Sábado, 26 de novembro de 2016. O dia em que o Bahia pode decretar o seu retorno à elite do futebol brasileiro. Marcelo Sant’Anna estará entre a cruz e a espada, com um pé no céu e outro no inferno. O seu trabalho à frente do clube será posto em cheque novamente, ou tudo ou nada.

Avaliar quase dois anos de trabalho associando conquistas e títulos a bem-estar sócio administrativo, pode nos induzir a erros. Guardadas as devidas proporções, seria o mesmo que creditar um futuro glorioso e sem fracasso ao processo de abertura democrática de um clube. Ou achar que é certeza de troféus a montagem de bons elencos. Os temas podem ter relação, porém, o sucesso não é garantido.

O clube hoje não está do jeito foi entregue a MS. Tivemos melhorias significativas em vários aspectos, mas é fato que muito ainda há que se fazer. E ele tem consciência disso, ao menos é o que deixa transparecer nas entrevistas que concede. O sucessor, inegavelmente, encontrará outro nível de Bahia. Acredito que até aquele mais opositor ao trabalho dele, reconhece esse aspecto. Isto é tudo? Não.

A maior reclamação da torcida hoje é que em quase dois anos de trabalho, apenas um título conquistado e, aquele que deveria ser o principal objetivo do clube, ainda não foi alcançado. Estamos na torcida para que, em pouco mais de 24h, consigamos o acesso, o retorno a elite do futebol brasileiro. Do contrário....

O slogan A Vez do Futebol permanece ressoando na mente dos que votaram em MS. A ideia que se passou foi a de que nos três anos de mandato todos os esforços seriam para a volta do time à Série A. Mesmo ano passado batendo na trave e neste já quase dentro do gol, se a bola não entrar, tudo o que se construiu, ou talvez na avaliação de muitos, o pouco que se fez, ficará pelo caminho. E na próxima segunda, o torcedor que lotou o aeroporto no embarque, iniciará a onda de protestos e manifestações.

Pouco vai importar se houve avanços no lado do Marketing com a entrada de vários patrocinadores, se o problema com a Caixa foi resolvido e conseguimos mais esse aporte financeiro ou se agora somos um clube equilibrado financeiramente, ainda com um passivo alto, porém, controlado e com credibilidade perante jogadores. Há que se ressaltar a disposição que ele teve para enfrentar a Globo e fechar com o EI os direitos de transmissão dos jogos do tricolor, com valores considerados, diga-se de passagem. Está tudo como desejamos? Não. Ao menos temos ciência de que estamos em algum caminho promissor, o que antes não acontecia.

MS cometeu alguns equívocos, que até podem ser considerados graves para o cargo que ocupa. Um presidente de clube não deve vestir o boné de torcedor e se deixar levar por provocações, muito menos tomar decisões cedendo a pressões externas, como aconteceu ao final da temporada passada ao demitir Sérgio Soares. Não estou defendendo o treinador, mas é que a oito rodadas do final da competição não me pareceu algo que ele quisesse fazer, e sim, porque a torcida exigia.

Há quem ainda o acuse de não saber negociar os jogadores da base e de não dar importância às questões relacionadas ao Fazendão e à Cidade Tricolor, que permanece indefinida. Na balança, na minha avaliação, há o equilíbrio. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Acredito que o próximo presidente terá condições mínimas de iniciar um trabalho de forma decente e, o principal, dará continuidade ao que fora iniciado por MS. Esperamos todos que na Série A. Do contrário...

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A vez do futebol. No campo das contratações, acredito que evoluímos. Não tenho números exatos, mas a certeza de que contratamos menos e com mais qualidade que em anos anteriores. O grande motivo de discussões e divergências é que os resultados não demonstram.

Luisinho, Danilo Pires, Paulo Roberto, Edigar Junior, Juninho, Hernanes e Thiago Ribeiro no início. Nomes que tiveram pouca rejeição ou desconfiança e que alimentavam a esperança de um bom time. O amistoso contra o Santos deu essa impressão. O tempo não confirmou a previsão. Apenas três deles ainda permanecem no elenco e justificaram a contratação, sendo os maiores destaques da temporada.

Ao fim do Baiano outros nomes vieram e começaram a dar corpo ao elenco da Série B. As dispensas foram necessárias e eu vejo como natural esse tipo de ajuste nas vésperas ou durante a competição. Lomba, Luisinho, Danilo Pires, Paulo Roberto e Thiago Ribeiro ficaram sem clima, e não foi por falta de oportunidade. Vieram Jackson, Tiago, Muriel, Moisés, Eduardo, Luis Antônio, Régis e Cajá, com exceção deste último, os outros chegaram sob desconfiança e tiveram que superar expectativas, já que não eram nem reservas na Série A.

O time foi encorpando e ainda recebeu Allano, Natan, Vitor Rangel, Renê Junior e Misael para compor o grupo. Com a chegada de Guto Ferreira, ganhamos regularidade, principalmente, dentro de casa, onde somos a melhor campanha. Conseguimos ver um esboço de organização e conjunto, sabemos que temos os titulares e quem pode entrar para tentar fazer a diferença quando preciso. Nosso maior problema na competição foi não ter conseguido mais pontos fora da Arena.

Independente dos erros em algumas escolhas, e eles aconteceram, sim, entendo que montamos um bom elenco para a competição. Basta analisarmos o campeão e nosso adversário amanhã. Jogadores comuns, alguns rodados e de qualidade questionada, mas que conseguiram entrosar e montar um esquema tático onde fica visível que o grande destaque é o conjunto. Se olharmos os times que ainda estão disputando as vagas para o acesso, não se percebe desnível que salta aos olhos, muito pelo contrário, o que se vê é muita igualdade.

E aqui vem o ponto em que muitos discordam e divergem: MS é o grande culpado? Por ser o presidente e prometer que na sua gestão o futebol seria prioritário, na visão de muitos, sim. Eu acredito que a culpa dele existe, mas não está ligada a algum tipo de omissão ou falta de coragem em investir. Dizem que nossa folha é uma das mais altas, se não for a maior. Além disso, ele e o seu Departamento de Futebol conseguiram trazer alguns nomes que estavam em times da Série A, tendo a audácia de pagar salários maiores. Agora, se não foi possível transformar tudo isso em resultado, temos que saber dividir os pesos.

Definir que os times com melhores elencos farão grandes campanhas ou serão campeões, é erro grosseiro de análise. Futebol se resolve dentro de campo e nem sempre ele traduz a superioridade técnica em resultado. Um bom exemplo e que corrobora com essa afirmação é o Bahia de 98. Tínhamos entre outros: Jean, Clebson, Nenê, Bebeto Campos, Fábio Baiano, Marquinhos, Ueslei, Robson Luis e Guga. Levamos o Baiano com sobras, goleando o pessoal do aterro na casa deles por 3x0 na final. Entramos na Série B como o maior favorito disparado e, num grupo de seis onde quatro se classificavam, ficamos em quinto e por pouco não caíamos para a Série C. Futebol é isso, sem lógica ou fórmulas mágicas.

É difícil, eu sei. Estamos ávidos para voltar a nos encontrar com os grandes, o nosso lugar. Se por acaso falharmos, que tentemos ser conscientes e justos nas nossas análises. Que saibamos cobrar, exigir, mas que não esqueçamos que estamos mais fortes que ontem e ao passo de sermos melhores que hoje.

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A ansiedade assusta. Estamos a apenas um ponto do nosso retorno e de ver se concretizar o sonho de milhares de torcedores. Sinto que os jogadores estão focados no objetivo e há muito eu não via uma entrega tão grande, nem na subida em 2010. O choro de Juninho e de Rangel ao final do jogo contra o Ceará é apenas um exemplo. Os reservas também jogam com o time o tempo todo e um aspecto que nós, torcedores mais antigos, sempre testemunhamos vem se fazendo presente nos jogos: a nossa estrela. Ela que brilhou com Raudinei e Charles reapareceu com Hernane, Edigar Junior e Cajá, e isso é ótimo sinal.

Vamos subir, Esquadrão!

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Um abraço aos amigos que o Bahia me deu e que amanhã estarão, assim esperamos, comemorando nosso acesso: Beto Mito, Rodrigo Ícone, Giorgio Pirulito, Faustino Los Hermanos, Guimarães Borat e a todos os outros do grupo Bengoleiros Tricolores.

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