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Coluna

Cássio Nascimento
Publicada em 23/10/2017 às 16h14

Depois da tormenta, o alívio

Apesar das deficiências técnicas e das falhas intracampo, o Bahia venceu o rival num jogo emocionante, revivendo os grandes jogos do passado.

Mendoza e Edigar Júnio, duas das principais peças da equipe, merecem ser reavaliados quanto à sua permanência. O treinador, apesar de taticamente não ter tido bom desempenho na partida de ontem, aos poucos vai dando padrão de jogo à equipe. Roga-se aos futuros gestores do tricolor que aproveitem o que temos de positivo.

Lucas Fonseca, após falhas contra o Flamengo, não foi muito feliz no lance do gol do rival. A sorte é que conseguimos definir a parada logo em seguida.

A meta principal do Bahia, aos poucos, vai sendo alcançada: a permanência na Série A. No Brasileirão atípico, no qual metade dos competidores tem sérios riscos de rebaixamento, o Bahia consegue se manter estável em termos de pontos ganhos, a despeito da instabilidade de desempenho intrajogo.

A Libertadores permanece sendo uma quimera, onde uma combinação plausível de resultados poderá colocar até o nono colocado nesta competição internacional. Na "pior" das hipóteses, a Sulamericana recém vencida pelo time post-mortem de Santa Catarina. Voltemos à Terra e foquemos primeiro na não queda. De nada adiantará figurar na ribalta continental sem estrutura competitiva, não obstante a oportunidade de visibilidade e de arrecadar fundos extras. No mais, apenas torcer para que um dia dê certo.

Seguimos na esperança de dias melhores. Um triunfo contra o Pó de Arroz das Laranjeiras aumentará a chama do sonho do estrelato. Mas primeiro superemos os desfalques, as limitações técnicas e a torcida contra da imprensa sudestina.

Pedimos vênia para comentar sobre um assunto espinhoso, que é o ódio contra as diferenças. Isso já foi comentado aqui, em outras ocasiões, por mim e pelo colega Djalma, e não custa nada relembrarmos o quanto isso é dolorido para nós, baianos.

O colombiano jogador do rival, por mais que tenha ancestrais africanos desde a época pós dinossauros, ao proferir determinado qualificador ao seu oponente, teve a intenção precípua de desestabilizá-lo emocionalmente.

Sabendo disso, e sabendo também que o inconsciente coletivo da casa grande e do capitão do mato é um mal de quase toda a sulamérica, fica mais uma vez o repúdio a este tipo de abordagem, mesmo que em momentos de raiva. Repudiamos, também, o comportamento covarde de seus chefes imediatos, porque tentam acobertar o fato temendo punições ao clube que tem uma casa envolta em uma atmosfera de metano para chamar de sua.

Esperemos que o colombiano seja respeitado, apesar de tudo, nos espaços públicos que frequentar; e que se entenda pessoalmente com o agredido e a instituição que representa. Pugnemos por uma punição, porém que seja proporcional e justa, sem revanchismos e sem xenofobia, pois é assim que se constrói uma civilização.

Depois da indígena ameaçada por um inimigo secreto no Acre, este tendo vaticinado que "lugar de índio é no buraco"; num país onde se deseja que pessoas morram por causa de suas escolhas políticas, eis uma excelente oportunidade de treinar o respeito ao próximo e a neutralidade diante de pessoas em dsalinho: deixem o gringo a sós com a consciência dele, e que a CBF aja, dentro da lei e da ordem, de modo a inibir tais fatos doravante.

Saudações Tricolores!

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