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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 28/10/2016 às 13h47

Bobô em ótima ação política

 
Excelente a iniciativa do ex-jogador Bobô e atualmente Deputado Raimundo Nonato ao levar em pauta e apresentar projeto na Assembléia Legislativa que foi aprovado por unanimidade e transformou a torcida tricolor em Patrimônio Cultural do Estado da Bahia. Portanto, é Lei. Este colunista congratula-se com Bobô. 

Patrimônio Cultural é o conjunto de todos os bens, manifestações populares, cultos, tradições tanto materiais quanto imateriais --intangíveis --, reconhecidos de acordo com sua ancestralidade, importância histórica e cultural de uma região -- país, localidade ou comunidade.

Abordar esse evento é obrigação de toda a imprensa devido à importância que ele tem, principalmente, como um choque na realidade de todas as torcidas do Brasil num momento em que vemos grupos atrozes, organizados para o crime nos estádios, travestidos de torcida organizada como se o futebol fosse meio de vingança, espancamentos e mortes 

-- O esporte, especialmente o futebol, é algo para integrar sociedades e não para dividi-las fazendo guerras inócuas que são de uma idiotice sem precedentes.

É imperativo que o torcedor se conscientize do papel que ele tem no contexto futebolístico e no esporte como um todo. É importante a consciência sobre essa Lei aprovada pela ALB que não é simplesmente uma aclamação política eventual, é um chamamento à responsabilidade e à consciência cívica do torcedor. 

Os mais jovens e afoitos pelo próprio entusiasmo, instáveis pela natural mutação, precisam ler muito sobre o histórico pregresso do futebol para entender suas próprias relações com seus clubes, que não deve ser de paixão, sim, de amor. Paixão é sentimento excessivo, afeto violento, egocentrismo cruel, mágoa, parcialidade enfim. A relação tem de ser de amor incondicional.

Famílias já não frequentam os estádios, os tradicionais torcedores sessentões, em sua maioria, também não. Colocar 50 mil torcedores no estádio é provavelmente bater um recorde memorável nesse contexto. A causa dessa ausência é devido à arregimentação sem critérios e sem cartilha por parte das chamadas torcidas organizadas que optam pela quantidade desenfreada  e não pela qualidade individual.

A partir de então cada torcedor do Bahia -- em especial citação -- é uma célula patrimonial que tem a obrigação de honrar as gerações passada, presente e futura, pois, ser parte do Patrimônio Cultural de um Estado é uma honra tão grande quanto educativa porque a geração que ainda virá depende muito do legado que esta deixar.

Neste Século já vi duas ações favoráveis à torcida do Bahia e, de contribuição exemplar para geral reflexão cidadã, principalmente, àqueles que amam o futebol. O filme Bahia Minha Vida, e, agora, essa transformação da torcida tricolor em Patrimônio Cultural do Estado -- a torcida rival também se tornou Patrimônio Cultural e rendo aqui minha homenagem. Parabéns!  

Fato é que a Assembléia Legislativa jogou um bolão dessa vez. Muito mais do que estão jogando Bahia e Vitória em suas respectivas campanhas neste ano que, realmente, até aqui, são indignas do torcedor.

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