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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 21/08/2018 às 11h53

Assimilação e confiança

Falando obviamente, fato é que o calendário do futebol brasileiro é cruel e exaure os atletas, e isto coloca de fato uma pedra no caminho dos clubes com condições orçamentárias compatíveis com as aspirações de cada um, como título nacional, vaga na Libertadores, na Sulamericana, enfim... Existe um problema e quem tem de resolvê-lo são os clubes que disputam a Série A -- campeonatos estaduais, por exemplo, devem e podem ser disputados com time de aspirantes.

O que definitivamente não dá é um clube como o Bahia jogar oito a nove vezes por mês. Isso é humanamente impossível, porque em algum ponto da temporada o rendimento cairá drasticamente devido à estafa mental e física - sendo redundante. Por outro lado, cerca de 70% dos clubes que competem na Série A necessitam paradoxalmente estar participando dos torneios nacionais e internacionais. 

Nossos clubes são como as aranhas, têm de tecer o tempo todo se quiserem permanecer vivos para protagonizar suas próprias histórias de sobrevivência. Devido a isso é que os treinadores fazem esses rodízios, nem tão aceitos assim, mas é o melhor caminho que se tem para seguir refém das próprias necessidades do calendário e das suas regras. O Campeonato Brasileiro tem de ser jogado com muito mais método do que o parecido com o ideal. 

Ao final deste mês de agosto, o Tricolor Baiano terá jogado 9 vezes e se deslocado aproximadamente cerca de 15.000 km. Isto sem se falar em horários que varam madrugadas adentro, espera em aeroportos, traslados terrestres e treinamentos do jeito que dá e com uma logística muito complicada.

Serão no mínimo 73 partidas que o Bahia jogará até o final da temporada. Partindo desse pressuposto, o Tricolor joga 6 vezes ao mês, o que significa aproximadamente 583 minutos/mês e 7 mil minutos no ano -- em números aproximados. É dose cavalar e nenhum time consegue chegar inteiro no final do ano com um calendário assim. Isto, no caso do Bahia, se for cumprido apenas o agendado -- se passar pela próxima fase na Sulamericana esses números serão alterados.

Quando disse aqui nesta coluna que Enderson era um técnico ainda do segundo andar no futebol brasileiro, não falei nada novo. É fato. Porém, fiz a ressalva dizendo naquele momento que  não estava discutindo a sua potencialidade, mas sim o momento dele, Enderson -- que procedia de insucessos em times chamados grandes --, e do Bahia que ao demitir Guto precisava de um treinador, em minha opinião, “cascudo”. Afinal, o time vinha muito mal e não dava sinais de recuperação.

E com Enderson não começou diferente. O Bahia chegou a cinco jogos sem ganhar. Continuava jogando mal como anteriormente e com apenas um gol marcado em 450 minutos de jogos e nenhum esquema tático à vista, culminando com a perda mais improvável do Bahia neste ano, que foi a Copa do Nordeste. 

Em seguida, Enderson foi ganhando corpo junto aos seus comandados e o desenho tático foi ganhando forma, assimilação e confiança. O time começou a deslanchar organizadamente em campo ao ponto de enfrentar adversários como o Palmeiras, com superioridade técnica no primeiro tempo até perder para o próprio cansaço físico na segunda etapa. Contra o Cruzeiro foi claramente um jogo digno de duas grandes forças do nosso futebol.

Ratifico a análise de Felipe Scolari com as minhas palavras: esse time que o Bahia tem, e do jeito que está jogando, será muito difícil de ser batido pelos seus adversários. Apesar da boa fase do Internacional, ajudado por um calendário que neste momento lhe favorece, ainda assim creio que nesta quarta-feira o Bahia passará para a parte de cima da tabela. Daí em diante, receio apenas as contusões, cansaço e cartões. Fora isso, é disciplina tática, vontade e técnica, como está acontecendo. 

 
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